jueves, 10 de diciembre de 2009

Passeando por Madrid - parte I

Assim como em São Paulo, a maioria dos bairros/regiões em Madrid também é conhecida por alguma característica marcante. Em São Paulo temos a Liberdade e seus orientais, Vila Madalena e seus bares, a Augusta e...bom, deu pra entender a idéia...

Uma das regiões mais chiques da cidade se encontra nas redondezas da calle Serrano (um tipo de Oscar Freire), onde estão as grandes lojas de grife (Prada, Louis Vitton etc.) e um sapato não vai sair por menos de 300 euros (isso se estiver em rebaja). Também é verdade que é possível encontrar lojas com preços mais acessíveis, como a Zara. Acompanhando a tendencia das lojas, os bares de tapas e copas, lounges e restaurantes são moderninhos e normalmente com um preço salgado.

Com certeza um dos "points" madrileños é La Latina (=Vila Madalena), onde a proporção de bares por habitante é mais ou menos 4:1. Os bares estão sempre lotados (de gente e de fumaça de cigarro) e as vezes é difícil achar um lugar pra sentar e tomar uma cerveja. Nas sextas a noite e sábados (tarde e noite) o ambiente é realmente "up", com a galera enchendo as calçadas, principalmente no verão. O lugar mais badalado da região é a Calle de la Cava Baja, que além dos bares conta com a Casa Lúcio, famosos pelos huevos revueltos que encantaram o Rei Juan Carlos.

No mes de agosto acontece por lá a "Fiesta de la Virgen de la Paloma". Nesta festa, os bares colocam seus balcões na calçada, inundando-a de cerveja, tinto de verano, calimocho (vinho com coca cola) e mojito, entre outros. Caixas de som são colocadas nas varandas das casas, criando um ambiente fenomenal. E mais: a festa tem uma programação vasta de shows, teatro, competições etc espalhados durante quase 2 semanas. Para completar pode-se encontrar milhares de barracas de comida pela rua, das mais comuns (como de hambúrgueres ou hot dog (perrito caliente)) às menos convencionais (pelo menos para nós brasileiros), apesar de muito apreciados por aqui (entresijos (intestino grosso de carneiro frito), callinejas, zarajos). Com todos estes atrativos não é surpresa que se encontre pessoas de todas as idades se divertindo pelas ruas...

Mas esse bairro não tem atrações somente pela noite. Nas manhãs de domingo é montado o "El Rastro", um mercado a céu aberto onde se vende de tudo por um preço bem camarada. É um bom lugar pra comprar lembrancinhas pra dar de presente aos familiares e amigos (uma camiseta custa mais ou menos 5 euros). Só cuidado para a economia não virar prejuízo, pois os batedores de carteira gostam tanto da feira quanto os turistas.

Ranking Gastronómico Mundial - segundo eu mesmo

Gosto muito de comer. E de cozinhar também. Ter vivido por aqui durante 1 ano e meio com a possibilidade de viajar por toda a Europa com certeza contribuiu infinitamente para o leque de comidas que conheço. Tem tanta coisa que é difícil saber o que é melhor. Já com água na boca vou tentar escolher os 10 mais de todos os tempos (que viraram 13), segundo minha curta experiência gatronômica. Vale prato principal, tapa, sobremesa, qualquer coisa...a ordem pouco importa, pois são todas muito boas...

1º - Morcilla de Burgos (não comi em Burgos...a melhor que comi foi em Santander)

2º - Risoto de cogumelos, abobrinha e açafrão (na villa de Monte Riggioni, Itália)

3º - Feijoada (até a do Rei das Batidas vai bem)

4º - Goffre (de Bruxelas, em qualquer lugar se encontra)

5º - Queso gallego - Tetilla (a primeira vez que comi foi no El Chacón, Madrid)

6º - Arroz con leche

7º - Paella Marinera (na Casa de Valencia, Madrid)

8º - Pizza / Pão de calabresa (do Brás, São Paulo)

9º - Carneiro com molho de espinafre (no Tandoor, São Paulo)

10º - Batata frita belga (em qualquer barraca de rua na Bélgica)

11º - Taco de cutilacoche (no Barriga Llena, Madrid)

12º - Lula recheada de arroz (no Sushi Lika, na Liberdade)

13º - Arepas colombianas (no La Rochella, Madrid)

viernes, 20 de noviembre de 2009

A vez do país do futuro


Ultimamente quando mando emails para meus amigos espanhóis, a primeira coisa que me escrevem é “Parabéns pelas Olimpíadas do Rio”. Fico pensando: parabéns por que? Primeiro que eu não fiz nada para ajudar a candidatura da cidade maravilhosa. Segundo, não vejo muitos motivos para comemoração.

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014 achei que era a chance de mostrar que meu pessimismo quanto ao futuro do país é exagerado. É uma competição de uma única modalidade disputada em diversas cidades. Será uma oportunidade de mostrar ou não que, apesar dos pesares, o Brasil tem potencial de construir coisas positivas.

Dessa vez as coisas foram longe demais. Organizar uma Copa e os Jogos Olímpicos em menos de 2 anos passou dos limites. É como dar uma metralhadora na mão de macaco. Milhões de reais vão chover nas mãos de pessoas despreparadas e... não consegui encontrar uma palavra mais suave para isso, desonestas.

Com certeza veremos melhorias em infra estruturas, empregos serão criados e regiões se desenvolverão. Mas, a que preço? E que exemplo será dado? Que mesmo fazendo tudo errado e sendo desonesto você se dá bem no final?

Eu detesto ver gente que não merece se dando bem. E não acho que os fins justificam os meios. Não é assim que as coisas serão consertadas no longo prazo. Para se ter um paralelo, alguns anos atrás costumava participar de atividades esportivas universitárias. O presidente de uma determinada federação universitária era conhecido por todo tipo de comportamentos inadequados, do tipo usar o dinheiro da entidade para fins pessoais, influenciar resultados de jogos e uma longa lista de etc. Certa vez se cogitou realizar as Universíadas no Estado de tal entidade. Seguramente a partir dai teríamos milhares de patrocinadores e os campeonatos seriam melhores, com melhores quadras, premiações etc. Mas a que custo? E premiando a quem?

Enfim, de qualquer forma chegou a hora de separar os adultos das crianças, de mostrar se esse país é mesmo o do futuro e se merece o respeito dos outros pelos grandes projetos que possa tocar, e não só pelo futebol e samba.

O difícil é acreditar em tudo isso quando se olha para os líderes encarregados de tocar tão grandioso projeto: Lula, Nuzman, Teixeira etc etc etc.

Tercer intento y tercer fracaso

(Graças a Sky que ainda não instalou a banda larga em casa, 2 meses sem atualização do blog)

O assunto do momento na Espanha com certeza é “Olimpíadas 2016”. Não exatamente se o desempenho espanhol será melhor ou pior que nos jogos anteriores, mas “por que perdemos a disputa pela sede pela segunda vez consecutiva, desta feita para o Rio”. As posturas são várias: há os que tentam encontrar os próprios erros, os que acham que era impossível ganhar pela rotação de continentes promovida pelo COI e outros que buscam comportamentos misteriosos ou incoerentes do mesmo ao longo da história para justificar uma possível injustiça (como a versão veiculada no jornal “El Mundo”).

Entre os que olham para os fatores “internos” é unanimidade que o fato de que a Espanha será o último país desenvolvido a sair da crise jogou contra. Somando-se a isso o fato de que não estava claro o quanto as comunidades autônomas espanholas estariam dispostas a gastar em todas as obras de infraestruturas temos uma boa receita para o fracasso. Como fator coadjuvante, mas também importante, a falta de peso e influência do governante espanhol em seus pares ou, em outras palavras, a Espanha não manda nada em lugar nenhum atualmente. Outro fator elencado pela mídia foi a “proximidade” (24 anos ou 6 jogos) com a Olimpíada de Barcelona em 1992. Mas esse argumento vai por água abaixo quando olhamos a história recente que nos mostra jogos sendo realizados nos EUA com 12 anos de diferença (Los Angeles (1984) e Atlanta (1996)). É muito mais relevante o fato de que Londres sediará os jogos em 2012.

Os mais adeptos da teoria da conspiração citam escolhas recentes do COI para dizer que talvez haja motivos obscuros desta vez. Como exemplos, Seúl 88 e Pekin 08: regimes não democráticos sediando um evento que representa tantos princípios como os Jogos Olímpicos? No mínimo estranho. Outro caso ocorreu com Londres 2012: segundo o “El Mundo”, o projeto desta cidade era totalmente virtual, ou seja, não existia nada de nada da estrutura necessária, e foi uma jogada genial de lobby do então primeiro ministro Tony Blair (aqui na Inglaterra dizem a mesma coisa). E agora na eleição para 2016, acham esquisito o fato de um ano atrás o Rio ter recebido a menor nota entre as qualificadas para a fase final e de repente se tornar a favorita de todas.

Seja quais forem os motivos, tal decisão causou uma grande decepção na Espanha e principalmente em Madrid, ainda mais se olhamos os números da votação final: 66 a 32 para o Rio, uma verdadeira escovada. Apesar dos problemas econômicos atuais e dos baixos níveis de aprovação do governo espanhol, a candidatura madrilenha tinha apoio de grande parte da população do país, e principalmente, claro, em Madrid. Fora o argumento de ser uma incrível experiência por si só, se esperava também um empurrãozinho econômico, que geraria mais emprego e melhoria das infra-estruturas atuais.

Enquanto analisam os motivos da derrota para o Rio, os espanhóis terão um tempinho para pensar se concorrem novamente (seria a 4ª vez) ou se conformam em assistir os Jogos pela televisão mesmo.

lunes, 28 de septiembre de 2009

Enchendo a pança em Madrid - parte II

Pra quem conhece o Rei das Batidas, sua filial em Madrid se chama "El Chacón". Lugar simples, algumas poucas mesas de madeira, garçons folclóricos, comida boa e barata e cheio de gente. E, de quebra, dono simpático.

Se tudo isso ainda não te apeteceu, com certeza os pratos servidos ali vão fazer você mudar de opinião. O "El Chacón" é um restaurante de comida típica da Galícia, região ao norte da Espanha (logo acima de Portugal), cuja língua é bastante parecida ao português. Fui ali a primeira vez por indicação de um amigo brasileiro, que havia sido levado pelo seu chefe. A partir de então, tento levar todas as visitas que ficam em casa a este restaurante.

Apesar de não ser originário da Galícia, começar com a morcilla de burgos (no Brasil se chama choriço) não está nada mal. Uma das melhores que comi na Espanha, só perdendo para outra da cidade de Santander. Avançando na sequência de entradas, é imprescindível mandar ver um queijo galego, também conhecido como tetilla. É muito cremoso, leve, com mais consistência que o catupiry, de maneira que se pode fatiá-lo.

Numa categoria intermediaria entre entrada e prato principal está o "pulpo a gallega" (polvo). Basicamente é polvo cozido, fatiado e servido com batatas e um tempero a base de pimentão. Tempera-se a batata com azeite e sal. Delicioso. Nessas alturas do jantar no "El Chacón" provavelmente você já estará na segunda jarra do vinho Ribeiro, que lembra jurupinga, mas é mil vezes melhor. Dá pra ficar bêbado rapidinho...

Pra fechar, se ainda tiver espaço no estômago, o prato principal: "lacón con grelos". Grelos? É, significa "couve" em galego (em espanhol se diz "col"). E lacón significa paleta (pata dianteira do porco). Acompanha batatas cozidas e linguiça. Muito bom!

Há ainda o codillo, que é o joelho de porco. Com tantas opções vale a pena voltar ao "El Chacón" mais de uma vez e ir provando pouco a pouco. Para os que gostam de completar a refeição com uma sobremesa, não me lembro de ter visto no menú. Mas também é verdade que nunca procurei, porque a esta altura estava sempre tão cheio que nem podia pensar em comida. E pensava: "nunca mais!!!". Só pra voltar lá no mês seguinte e repetir a comilança!

O "El Chacón" fica perto do metro "Puerta del Angel" (linha 6), na Calle de Saavedra Fajardo 16.

lunes, 14 de septiembre de 2009

Visitas ilustres

Evo Morales e Hugo Chaves em uma mesma semana... é uma benção!!! Pobres espanhóis...

domingo, 13 de septiembre de 2009

Espanhóis viajando...

Uma pesquisa recente coloca os turistas espanhóis em penúltimo lugar no ranking dos melhores turistas, segundo a indústria hoteleira (foram pesquisados 4.500 profissionais do setor). Os motivos: são muito ruidosos e reclamam demasiado. Bom, conhecendo-os como se comportam em casa, ou seja, na Espanha, não é de se estranhar. Realmente são duas características que saltam aos olhos ao conhecer a maioria dos habitantes da terra do jamón e das touradas.


Mas, creio eu, que tudo isso está relacionado a uma característica marcante de sua cultura: eles gostam de falar. No trabalho, fumando, tomando um café, durante o almoço, no bar, em casa... enfim, a vida não tem graça se não tiver uma boa conversa para enganchar. Encare um voo saindo da Espanha e entenderá melhor essa característica: eles não conseguem ficar sentados na cadeira, lendo ou ouvindo música. Eles tem que levantar e ir conversar com o amigo que está sentado umas 10 fileiras pra frente. O avião se torna uma verdadeira feira. Quando tem turbulência então, é um tal de sair nego voando pra tudo que é lado.

Sim, também é verdade que normalmente falam alto, o que as vezes lhes confere um tom agressivo (se analisado desde o ponto de vista "brasileiro"). Mas é só impressão mesmo, não existe nada de agressividade nisso.

Voltando ao estudo, eu tenho um ponto de vista um pouco diferente da maioria: não acho que eles reclamam demais. O que acontece é que como falam muito, acabam reclamando muito, em números absolutos. Proporcionalmente são parecidos com outros "povos". Somando-se a isso o alto e as vezes estridente tom de voz, temos a receita perfeita para que as pessoas achem que são chatos como turistas.

Outra coisa que não estou muito de acordo com tal pesquisa: que os espanhóis se esforçam em falar o idioma local, quando turistas, ao contrário dos franceses. A maioria das experiências que tive me dão a impressão do contrário. Na verdade penso que a maioria dos turistas espanhóis pensa que, sendo sua língua uma das mais faladas no mundo, todos tem que entendê-los. Agora mesmo estou num hotel em Londres que tem muitos hóspedes espanhóis. O "normal" seria que as pessoas se saludassem em inglês no elevador, certo? Muito bem, por aqui eles dizem "hola", "buenos días", "hasta luego" e "perdón", mesmo que no elevador estejam um cidadão de olhos puxados, outro de pele branca, cabelos loiros e 2 metros de altura e um negão vestido com roupas típicas do Zaire.

Quando estávamos em Budapeste aconteceu uma passagem interessante também. Os húngaros mal falam o inglês, imaginem o espanhol. Além disso, sua língua é indecifrável e não tem muitas palavras parecidas com as latinas ou com o inglês. Uma cliente espanhola em uma casa de banho discutia em alto e bom som com uma funcionária, explicando-lhe: "ya lo sé... mi tarjeta está en la taquilla de abajo... tengo que recogerla allí". Com um inglês mais ou menos a funcionária se esforçava em explicar que era necessário apresentar o cartão de entrada para o vestiário. E lá ia nossa amiga espanhola explicar novamente que seu cartão estava no armário do andar de baixo... em espanhol, claro...

Enfim, não é que eles sejam chatos. Mas parecem chatos...

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