Ultimamente quando mando emails para meus amigos espanhóis, a primeira coisa que me escrevem é “Parabéns pelas Olimpíadas do Rio”. Fico pensando: parabéns por que? Primeiro que eu não fiz nada para ajudar a candidatura da cidade maravilhosa. Segundo, não vejo muitos motivos para comemoração.
Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014 achei que era a chance de mostrar que meu pessimismo quanto ao futuro do país é exagerado. É uma competição de uma única modalidade disputada em diversas cidades. Será uma oportunidade de mostrar ou não que, apesar dos pesares, o Brasil tem potencial de construir coisas positivas.
Dessa vez as coisas foram longe demais. Organizar uma Copa e os Jogos Olímpicos em menos de 2 anos passou dos limites. É como dar uma metralhadora na mão de macaco. Milhões de reais vão chover nas mãos de pessoas despreparadas e... não consegui encontrar uma palavra mais suave para isso, desonestas.
Com certeza veremos melhorias em infra estruturas, empregos serão criados e regiões se desenvolverão. Mas, a que preço? E que exemplo será dado? Que mesmo fazendo tudo errado e sendo desonesto você se dá bem no final?
Eu detesto ver gente que não merece se dando bem. E não acho que os fins justificam os meios. Não é assim que as coisas serão consertadas no longo prazo. Para se ter um paralelo, alguns anos atrás costumava participar de atividades esportivas universitárias. O presidente de uma determinada federação universitária era conhecido por todo tipo de comportamentos inadequados, do tipo usar o dinheiro da entidade para fins pessoais, influenciar resultados de jogos e uma longa lista de etc. Certa vez se cogitou realizar as Universíadas no Estado de tal entidade. Seguramente a partir dai teríamos milhares de patrocinadores e os campeonatos seriam melhores, com melhores quadras, premiações etc. Mas a que custo? E premiando a quem?
Enfim, de qualquer forma chegou a hora de separar os adultos das crianças, de mostrar se esse país é mesmo o do futuro e se merece o respeito dos outros pelos grandes projetos que possa tocar, e não só pelo futebol e samba.
O difícil é acreditar em tudo isso quando se olha para os líderes encarregados de tocar tão grandioso projeto: Lula, Nuzman, Teixeira etc etc etc.
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