lunes, 28 de septiembre de 2009

Enchendo a pança em Madrid - parte II

Pra quem conhece o Rei das Batidas, sua filial em Madrid se chama "El Chacón". Lugar simples, algumas poucas mesas de madeira, garçons folclóricos, comida boa e barata e cheio de gente. E, de quebra, dono simpático.

Se tudo isso ainda não te apeteceu, com certeza os pratos servidos ali vão fazer você mudar de opinião. O "El Chacón" é um restaurante de comida típica da Galícia, região ao norte da Espanha (logo acima de Portugal), cuja língua é bastante parecida ao português. Fui ali a primeira vez por indicação de um amigo brasileiro, que havia sido levado pelo seu chefe. A partir de então, tento levar todas as visitas que ficam em casa a este restaurante.

Apesar de não ser originário da Galícia, começar com a morcilla de burgos (no Brasil se chama choriço) não está nada mal. Uma das melhores que comi na Espanha, só perdendo para outra da cidade de Santander. Avançando na sequência de entradas, é imprescindível mandar ver um queijo galego, também conhecido como tetilla. É muito cremoso, leve, com mais consistência que o catupiry, de maneira que se pode fatiá-lo.

Numa categoria intermediaria entre entrada e prato principal está o "pulpo a gallega" (polvo). Basicamente é polvo cozido, fatiado e servido com batatas e um tempero a base de pimentão. Tempera-se a batata com azeite e sal. Delicioso. Nessas alturas do jantar no "El Chacón" provavelmente você já estará na segunda jarra do vinho Ribeiro, que lembra jurupinga, mas é mil vezes melhor. Dá pra ficar bêbado rapidinho...

Pra fechar, se ainda tiver espaço no estômago, o prato principal: "lacón con grelos". Grelos? É, significa "couve" em galego (em espanhol se diz "col"). E lacón significa paleta (pata dianteira do porco). Acompanha batatas cozidas e linguiça. Muito bom!

Há ainda o codillo, que é o joelho de porco. Com tantas opções vale a pena voltar ao "El Chacón" mais de uma vez e ir provando pouco a pouco. Para os que gostam de completar a refeição com uma sobremesa, não me lembro de ter visto no menú. Mas também é verdade que nunca procurei, porque a esta altura estava sempre tão cheio que nem podia pensar em comida. E pensava: "nunca mais!!!". Só pra voltar lá no mês seguinte e repetir a comilança!

O "El Chacón" fica perto do metro "Puerta del Angel" (linha 6), na Calle de Saavedra Fajardo 16.

lunes, 14 de septiembre de 2009

Visitas ilustres

Evo Morales e Hugo Chaves em uma mesma semana... é uma benção!!! Pobres espanhóis...

domingo, 13 de septiembre de 2009

Espanhóis viajando...

Uma pesquisa recente coloca os turistas espanhóis em penúltimo lugar no ranking dos melhores turistas, segundo a indústria hoteleira (foram pesquisados 4.500 profissionais do setor). Os motivos: são muito ruidosos e reclamam demasiado. Bom, conhecendo-os como se comportam em casa, ou seja, na Espanha, não é de se estranhar. Realmente são duas características que saltam aos olhos ao conhecer a maioria dos habitantes da terra do jamón e das touradas.


Mas, creio eu, que tudo isso está relacionado a uma característica marcante de sua cultura: eles gostam de falar. No trabalho, fumando, tomando um café, durante o almoço, no bar, em casa... enfim, a vida não tem graça se não tiver uma boa conversa para enganchar. Encare um voo saindo da Espanha e entenderá melhor essa característica: eles não conseguem ficar sentados na cadeira, lendo ou ouvindo música. Eles tem que levantar e ir conversar com o amigo que está sentado umas 10 fileiras pra frente. O avião se torna uma verdadeira feira. Quando tem turbulência então, é um tal de sair nego voando pra tudo que é lado.

Sim, também é verdade que normalmente falam alto, o que as vezes lhes confere um tom agressivo (se analisado desde o ponto de vista "brasileiro"). Mas é só impressão mesmo, não existe nada de agressividade nisso.

Voltando ao estudo, eu tenho um ponto de vista um pouco diferente da maioria: não acho que eles reclamam demais. O que acontece é que como falam muito, acabam reclamando muito, em números absolutos. Proporcionalmente são parecidos com outros "povos". Somando-se a isso o alto e as vezes estridente tom de voz, temos a receita perfeita para que as pessoas achem que são chatos como turistas.

Outra coisa que não estou muito de acordo com tal pesquisa: que os espanhóis se esforçam em falar o idioma local, quando turistas, ao contrário dos franceses. A maioria das experiências que tive me dão a impressão do contrário. Na verdade penso que a maioria dos turistas espanhóis pensa que, sendo sua língua uma das mais faladas no mundo, todos tem que entendê-los. Agora mesmo estou num hotel em Londres que tem muitos hóspedes espanhóis. O "normal" seria que as pessoas se saludassem em inglês no elevador, certo? Muito bem, por aqui eles dizem "hola", "buenos días", "hasta luego" e "perdón", mesmo que no elevador estejam um cidadão de olhos puxados, outro de pele branca, cabelos loiros e 2 metros de altura e um negão vestido com roupas típicas do Zaire.

Quando estávamos em Budapeste aconteceu uma passagem interessante também. Os húngaros mal falam o inglês, imaginem o espanhol. Além disso, sua língua é indecifrável e não tem muitas palavras parecidas com as latinas ou com o inglês. Uma cliente espanhola em uma casa de banho discutia em alto e bom som com uma funcionária, explicando-lhe: "ya lo sé... mi tarjeta está en la taquilla de abajo... tengo que recogerla allí". Com um inglês mais ou menos a funcionária se esforçava em explicar que era necessário apresentar o cartão de entrada para o vestiário. E lá ia nossa amiga espanhola explicar novamente que seu cartão estava no armário do andar de baixo... em espanhol, claro...

Enfim, não é que eles sejam chatos. Mas parecem chatos...

sábado, 5 de septiembre de 2009

Tauromaquia - parte II - Dicionário taurino

"Seis toros de Jandilla, variados de hechuras y comportamiento. Con genio y problemas los tres primeros, de menor presencia. El primero, manejable, el segundo violento y el tercero enrazado y vibrante. Cuarto y quinto blandos y nobles. Sexto manso y manejable. Justos de terapio menos al cuarto con más plaza y romana.

Luis Francisco Espiá, que sustituía a Cayetano, ovación (pinchazo y estocada) y oreja (corta atravesada). El Juli, silencio (pinchazo y tres descabellos) y oreja con petición de la segunda (estocada trasera y descabello). Daniel Luque, oreja (estocada trasera y ladeada) y ovación (estocada). Coso de Llumbe, cuarto festejo, más de media entrada en tarde de sol."

Mais que um simples "esporte", a tourada ("corridas de toros") é um acontecimento social na Espanha, que merece destaque de pelo menos uma página inteira no jornal diário, além de matérias de fofocas sobre a vida pessoal dos toureiros mais famosos nas revistas "Contigo" da vida (aqui chamadas de "revistas de corazón"). Dada a importância, é natural que ao longo do tempo se tenha desenvolvido um linguajar próprio desta tradição (assim como acontece no futebol, com termos como rolinho, carretilha, bicicleta e outros tantos).

O trecho reproduzido acima é um resumo de uma tarde de tourada em San Sebastián (aquela mesma das praias famosas, que fica no País Vasco). Primeiro se descrevem os touros e sua "atuação". Touros mansos e tontos são odiados por aqui, sendo vaiados e xingados efusivamente pelos fanáticos. Se informa também qual o criador do touro, neste caso Jandilla. E logo passamos ao desempenho dos toureiros, onde se descreve como mataram o touro: "estocada" (enfiar a espada ou o estoque no touro causando-lhe uma feriada mortal), "pinchazo" (tentativa de estocada que termina por não ser mortal), "descabello" (enfiar a espada na nuca enquanto o touro ainda está de pé, matando-o instantanemante) e como sua atuação foi recebida pelos "torcedores": ovación (aplausos) ou orejas (quando a atuação é muito boa se costuma cortar a orelha do touro já morto, trabalho reservado ao ajudante do toureiro - parte de sua "cuadrilla").

viernes, 4 de septiembre de 2009

A vida imita a arte?

Lembram-se da cena do Titanic em que os músicos continuavam tocando "tranquilamente" enquanto o barco afundava? Então:

"Hay otros 84.985 desempleados más en agosto. Y la Seguridad Social pierde otros 142.244 afiliados. En la cola del paro del Inem ya hay 3.629.080 almas. Pero la vicepresidenta económica, Elena Salgado, se declara 'preocupada pero más optimista' hacia el futuro porque la tendencia es hacia una 'desaceleración del crecimiento del desempleo'".

- España sigue a la cabeza del paro en la Eurozona (jornal El Mundo)

Isso se falamos em Economia. Se formos aos Esportes as coisas não são muitos diferentes não...

- El COI destaca a Tokio y critica a Madrid su organigrama de trabajo y leyes antidopaje (20 minutos)

- Gallardón hace oídos sordos al COI: "Madrid ha salido fortalecida" (El confidencial)

A frase "O pior cego é aquele que não quer enxergar" não poderia ter melhor aplicação.

Liga das Estrelas - antecedentes...


Começou a Liga das Estrelas, como estão chamando por aqui a Liga Espanhola. Comprar jogadores com status de estrela por valores milionários é garantia de sucesso? A resposta clara é não. Exemplos não faltam, tanto na Europa como no Brasil. O time dos galácticos do Real com Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos e Beckham certamente deu retorno financeiro (se isso é o que conta), mas em termos de títulos não muito. E o trio dos sonhos do Flamengo então: Romário, Sávio e Edmundo...pavoroso!

O jornal 20 minutos publicou recentemente uma matéria com casos ilustres de fracassos de jogadores caríssimos na Espanha... e curiosos:
- Denílson (ex São Paulo e Palmeiras) que por aqui, assim como a maioria dos jogadores brasileiros tem fama de bêbado e baladeiro: "Al que fuera el fichaje más caro de la Liga (5.300 millones de pesetas) le confundía la noche sevillana."
- e o mais engraçado, o cidadão que na festa de apresentação foi fazer graça com a bola e caiu no meio do gramado com a arquibancada lotada - o uruguaio Marcelo Pato Sosa

jueves, 3 de septiembre de 2009

Enfim, férias!

É, amigo..."férias" é uma coisa muito séria por aqui. Pelo Brasil encontramos muitas pessoas com vários períodos de férias vencidas e que não tem um bom período de descanso há muito tempo, porque sempre tem muitos temas urgentes e importantes no trabalho. Aqui não. As férias são marcadas com antecedência, normalmente para um período de 2 ou 3 semanas, apesar de não ser raro quem tire até 4 semanas, principalmente nos meses de Julho e Agosto. Afinal, eles trabalham pra viver e não vivem pra trabalhar.

Entre os espanhóis há polêmica quando se discute se é melhor tirar as férias de forma concentrada em Julho/Agosto (como ocorre na maioria dos casos) ou distribuida ao longo do ano. Muitos reclamam que as empresas acabam forçando as pessoas a sairem de ferias nestes períodos, pois já está institucionalizado que estes meses são devagar mesmo. Além disso, é o período de férias escolares, e os que tem filhos aproveitam para desfrutar das "vacaciones" com eles. Apesar de aproveitar o calor - normalmente vão para a praia - financeiramente não é a melhor opção, pois neste período os preços estão bem mais salgados que no resto do ano.

Uma boa discussão sobre este tema, comparando o modelo espanhol e o inglês, pode ser encontrada aqui.


O longo período de férias pode causar a famosa (pelo menos por aqui) depressão pós férias. O raciocínio é simples: você ficou 2 ou 3 semanas na praia descansando, sem ninguém pra te encher a paciência, longe de todos os problemas do trabalho. Mesmo que goste do seu trabalho, no primeiro dia da volta tem que acordar cedo e quando começa a ler os emails já percebe a quantidade de problemas que vai ter que lidar. E dai começa a sensação de desânimo, cansaço etc. Para alguns este sentimento não dura mais que poucos dias, mas para outros a coisa se torna mais séria, podendo render uma visita ao psicólogo. Nada melhor para curar a depressão do que dar uma escapada no fim de semana, de preferência pegando a sexta feira pela tarde.

Falando de "longe dos problemas do trabalho", é quase impensável receber uma ligação de trabalho nas férias. Só no último dos casos que se pensa em incomodar alguém que está aproveitando seu merecido descanso. A maioria dos problemas não é suficientemente grande para isso, ou as pessoas que ficaram de backup são capazes de resolve-los. Tem muita lógica.

Se falamos então de vender férias (prática comum no Brasil quando se necessita de dinheiro ou se tem muitos dias acumulados) seus olhos se arregalam na hora. A eles parece um pouco absurdo vender seu período de descanso (e sua saúde). Se por acaso não consegue tirar todos os dias, que acumule para o ano que vem!

Outra prática muito comum por aqui são os chamados "puentes", que pela duração podem ser considerados verdadeiros viadutos. Na semana santa, por exemplo, muitas pessoas tiram férias a semana inteira (causando o efeito cidade-fantasma em Madrid, conforme descrevi aqui). Há ainda o costume de se tirar dias isolados durante o ano, como uma sexta ou segunda feira para poder viajar no final de semana.

Falando em fim de semana, também acontece nas empresas que se faça um rodízio às sextas feiras pela tarde, deixando apenas uma estrutura mínima para uma eventual emergência. Assim podem descansar para aproveitar a balada da sexta feira e também o final de semana que vem pela frente.

Não é uma questão de ser mais folgado que outros ou não. É uma questão de preocupação com sua saúde e com aproveitar a vida e equilibrar lazer com o trabalho. Aqui na Europa é comum encontrar países com mais ou menos 25 dias úteis de férias, além de 2 ou 3 dias para resolver assuntos pessoais, enquanto que nos EUA se tem somente 15 dias (muito pouco!!!).

No Brasil normalmente os que tem dinheiro não tem tempo para aproveitar férias tranquilas e desligar-se totalmente do trabalho, pois não querem afetar seu comprometimento com o mesmo. E os que tem mais tempo ou menor responsabilidade no trabalho não tem dinheiro sobrando para desfrutar umas boas e merecidas férias. Seguramente temos algo que aprender com os espanhóis.

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