jueves, 10 de diciembre de 2009

Passeando por Madrid - parte I

Assim como em São Paulo, a maioria dos bairros/regiões em Madrid também é conhecida por alguma característica marcante. Em São Paulo temos a Liberdade e seus orientais, Vila Madalena e seus bares, a Augusta e...bom, deu pra entender a idéia...

Uma das regiões mais chiques da cidade se encontra nas redondezas da calle Serrano (um tipo de Oscar Freire), onde estão as grandes lojas de grife (Prada, Louis Vitton etc.) e um sapato não vai sair por menos de 300 euros (isso se estiver em rebaja). Também é verdade que é possível encontrar lojas com preços mais acessíveis, como a Zara. Acompanhando a tendencia das lojas, os bares de tapas e copas, lounges e restaurantes são moderninhos e normalmente com um preço salgado.

Com certeza um dos "points" madrileños é La Latina (=Vila Madalena), onde a proporção de bares por habitante é mais ou menos 4:1. Os bares estão sempre lotados (de gente e de fumaça de cigarro) e as vezes é difícil achar um lugar pra sentar e tomar uma cerveja. Nas sextas a noite e sábados (tarde e noite) o ambiente é realmente "up", com a galera enchendo as calçadas, principalmente no verão. O lugar mais badalado da região é a Calle de la Cava Baja, que além dos bares conta com a Casa Lúcio, famosos pelos huevos revueltos que encantaram o Rei Juan Carlos.

No mes de agosto acontece por lá a "Fiesta de la Virgen de la Paloma". Nesta festa, os bares colocam seus balcões na calçada, inundando-a de cerveja, tinto de verano, calimocho (vinho com coca cola) e mojito, entre outros. Caixas de som são colocadas nas varandas das casas, criando um ambiente fenomenal. E mais: a festa tem uma programação vasta de shows, teatro, competições etc espalhados durante quase 2 semanas. Para completar pode-se encontrar milhares de barracas de comida pela rua, das mais comuns (como de hambúrgueres ou hot dog (perrito caliente)) às menos convencionais (pelo menos para nós brasileiros), apesar de muito apreciados por aqui (entresijos (intestino grosso de carneiro frito), callinejas, zarajos). Com todos estes atrativos não é surpresa que se encontre pessoas de todas as idades se divertindo pelas ruas...

Mas esse bairro não tem atrações somente pela noite. Nas manhãs de domingo é montado o "El Rastro", um mercado a céu aberto onde se vende de tudo por um preço bem camarada. É um bom lugar pra comprar lembrancinhas pra dar de presente aos familiares e amigos (uma camiseta custa mais ou menos 5 euros). Só cuidado para a economia não virar prejuízo, pois os batedores de carteira gostam tanto da feira quanto os turistas.

Ranking Gastronómico Mundial - segundo eu mesmo

Gosto muito de comer. E de cozinhar também. Ter vivido por aqui durante 1 ano e meio com a possibilidade de viajar por toda a Europa com certeza contribuiu infinitamente para o leque de comidas que conheço. Tem tanta coisa que é difícil saber o que é melhor. Já com água na boca vou tentar escolher os 10 mais de todos os tempos (que viraram 13), segundo minha curta experiência gatronômica. Vale prato principal, tapa, sobremesa, qualquer coisa...a ordem pouco importa, pois são todas muito boas...

1º - Morcilla de Burgos (não comi em Burgos...a melhor que comi foi em Santander)

2º - Risoto de cogumelos, abobrinha e açafrão (na villa de Monte Riggioni, Itália)

3º - Feijoada (até a do Rei das Batidas vai bem)

4º - Goffre (de Bruxelas, em qualquer lugar se encontra)

5º - Queso gallego - Tetilla (a primeira vez que comi foi no El Chacón, Madrid)

6º - Arroz con leche

7º - Paella Marinera (na Casa de Valencia, Madrid)

8º - Pizza / Pão de calabresa (do Brás, São Paulo)

9º - Carneiro com molho de espinafre (no Tandoor, São Paulo)

10º - Batata frita belga (em qualquer barraca de rua na Bélgica)

11º - Taco de cutilacoche (no Barriga Llena, Madrid)

12º - Lula recheada de arroz (no Sushi Lika, na Liberdade)

13º - Arepas colombianas (no La Rochella, Madrid)

viernes, 20 de noviembre de 2009

A vez do país do futuro


Ultimamente quando mando emails para meus amigos espanhóis, a primeira coisa que me escrevem é “Parabéns pelas Olimpíadas do Rio”. Fico pensando: parabéns por que? Primeiro que eu não fiz nada para ajudar a candidatura da cidade maravilhosa. Segundo, não vejo muitos motivos para comemoração.

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014 achei que era a chance de mostrar que meu pessimismo quanto ao futuro do país é exagerado. É uma competição de uma única modalidade disputada em diversas cidades. Será uma oportunidade de mostrar ou não que, apesar dos pesares, o Brasil tem potencial de construir coisas positivas.

Dessa vez as coisas foram longe demais. Organizar uma Copa e os Jogos Olímpicos em menos de 2 anos passou dos limites. É como dar uma metralhadora na mão de macaco. Milhões de reais vão chover nas mãos de pessoas despreparadas e... não consegui encontrar uma palavra mais suave para isso, desonestas.

Com certeza veremos melhorias em infra estruturas, empregos serão criados e regiões se desenvolverão. Mas, a que preço? E que exemplo será dado? Que mesmo fazendo tudo errado e sendo desonesto você se dá bem no final?

Eu detesto ver gente que não merece se dando bem. E não acho que os fins justificam os meios. Não é assim que as coisas serão consertadas no longo prazo. Para se ter um paralelo, alguns anos atrás costumava participar de atividades esportivas universitárias. O presidente de uma determinada federação universitária era conhecido por todo tipo de comportamentos inadequados, do tipo usar o dinheiro da entidade para fins pessoais, influenciar resultados de jogos e uma longa lista de etc. Certa vez se cogitou realizar as Universíadas no Estado de tal entidade. Seguramente a partir dai teríamos milhares de patrocinadores e os campeonatos seriam melhores, com melhores quadras, premiações etc. Mas a que custo? E premiando a quem?

Enfim, de qualquer forma chegou a hora de separar os adultos das crianças, de mostrar se esse país é mesmo o do futuro e se merece o respeito dos outros pelos grandes projetos que possa tocar, e não só pelo futebol e samba.

O difícil é acreditar em tudo isso quando se olha para os líderes encarregados de tocar tão grandioso projeto: Lula, Nuzman, Teixeira etc etc etc.

Tercer intento y tercer fracaso

(Graças a Sky que ainda não instalou a banda larga em casa, 2 meses sem atualização do blog)

O assunto do momento na Espanha com certeza é “Olimpíadas 2016”. Não exatamente se o desempenho espanhol será melhor ou pior que nos jogos anteriores, mas “por que perdemos a disputa pela sede pela segunda vez consecutiva, desta feita para o Rio”. As posturas são várias: há os que tentam encontrar os próprios erros, os que acham que era impossível ganhar pela rotação de continentes promovida pelo COI e outros que buscam comportamentos misteriosos ou incoerentes do mesmo ao longo da história para justificar uma possível injustiça (como a versão veiculada no jornal “El Mundo”).

Entre os que olham para os fatores “internos” é unanimidade que o fato de que a Espanha será o último país desenvolvido a sair da crise jogou contra. Somando-se a isso o fato de que não estava claro o quanto as comunidades autônomas espanholas estariam dispostas a gastar em todas as obras de infraestruturas temos uma boa receita para o fracasso. Como fator coadjuvante, mas também importante, a falta de peso e influência do governante espanhol em seus pares ou, em outras palavras, a Espanha não manda nada em lugar nenhum atualmente. Outro fator elencado pela mídia foi a “proximidade” (24 anos ou 6 jogos) com a Olimpíada de Barcelona em 1992. Mas esse argumento vai por água abaixo quando olhamos a história recente que nos mostra jogos sendo realizados nos EUA com 12 anos de diferença (Los Angeles (1984) e Atlanta (1996)). É muito mais relevante o fato de que Londres sediará os jogos em 2012.

Os mais adeptos da teoria da conspiração citam escolhas recentes do COI para dizer que talvez haja motivos obscuros desta vez. Como exemplos, Seúl 88 e Pekin 08: regimes não democráticos sediando um evento que representa tantos princípios como os Jogos Olímpicos? No mínimo estranho. Outro caso ocorreu com Londres 2012: segundo o “El Mundo”, o projeto desta cidade era totalmente virtual, ou seja, não existia nada de nada da estrutura necessária, e foi uma jogada genial de lobby do então primeiro ministro Tony Blair (aqui na Inglaterra dizem a mesma coisa). E agora na eleição para 2016, acham esquisito o fato de um ano atrás o Rio ter recebido a menor nota entre as qualificadas para a fase final e de repente se tornar a favorita de todas.

Seja quais forem os motivos, tal decisão causou uma grande decepção na Espanha e principalmente em Madrid, ainda mais se olhamos os números da votação final: 66 a 32 para o Rio, uma verdadeira escovada. Apesar dos problemas econômicos atuais e dos baixos níveis de aprovação do governo espanhol, a candidatura madrilenha tinha apoio de grande parte da população do país, e principalmente, claro, em Madrid. Fora o argumento de ser uma incrível experiência por si só, se esperava também um empurrãozinho econômico, que geraria mais emprego e melhoria das infra-estruturas atuais.

Enquanto analisam os motivos da derrota para o Rio, os espanhóis terão um tempinho para pensar se concorrem novamente (seria a 4ª vez) ou se conformam em assistir os Jogos pela televisão mesmo.

lunes, 28 de septiembre de 2009

Enchendo a pança em Madrid - parte II

Pra quem conhece o Rei das Batidas, sua filial em Madrid se chama "El Chacón". Lugar simples, algumas poucas mesas de madeira, garçons folclóricos, comida boa e barata e cheio de gente. E, de quebra, dono simpático.

Se tudo isso ainda não te apeteceu, com certeza os pratos servidos ali vão fazer você mudar de opinião. O "El Chacón" é um restaurante de comida típica da Galícia, região ao norte da Espanha (logo acima de Portugal), cuja língua é bastante parecida ao português. Fui ali a primeira vez por indicação de um amigo brasileiro, que havia sido levado pelo seu chefe. A partir de então, tento levar todas as visitas que ficam em casa a este restaurante.

Apesar de não ser originário da Galícia, começar com a morcilla de burgos (no Brasil se chama choriço) não está nada mal. Uma das melhores que comi na Espanha, só perdendo para outra da cidade de Santander. Avançando na sequência de entradas, é imprescindível mandar ver um queijo galego, também conhecido como tetilla. É muito cremoso, leve, com mais consistência que o catupiry, de maneira que se pode fatiá-lo.

Numa categoria intermediaria entre entrada e prato principal está o "pulpo a gallega" (polvo). Basicamente é polvo cozido, fatiado e servido com batatas e um tempero a base de pimentão. Tempera-se a batata com azeite e sal. Delicioso. Nessas alturas do jantar no "El Chacón" provavelmente você já estará na segunda jarra do vinho Ribeiro, que lembra jurupinga, mas é mil vezes melhor. Dá pra ficar bêbado rapidinho...

Pra fechar, se ainda tiver espaço no estômago, o prato principal: "lacón con grelos". Grelos? É, significa "couve" em galego (em espanhol se diz "col"). E lacón significa paleta (pata dianteira do porco). Acompanha batatas cozidas e linguiça. Muito bom!

Há ainda o codillo, que é o joelho de porco. Com tantas opções vale a pena voltar ao "El Chacón" mais de uma vez e ir provando pouco a pouco. Para os que gostam de completar a refeição com uma sobremesa, não me lembro de ter visto no menú. Mas também é verdade que nunca procurei, porque a esta altura estava sempre tão cheio que nem podia pensar em comida. E pensava: "nunca mais!!!". Só pra voltar lá no mês seguinte e repetir a comilança!

O "El Chacón" fica perto do metro "Puerta del Angel" (linha 6), na Calle de Saavedra Fajardo 16.

lunes, 14 de septiembre de 2009

Visitas ilustres

Evo Morales e Hugo Chaves em uma mesma semana... é uma benção!!! Pobres espanhóis...

domingo, 13 de septiembre de 2009

Espanhóis viajando...

Uma pesquisa recente coloca os turistas espanhóis em penúltimo lugar no ranking dos melhores turistas, segundo a indústria hoteleira (foram pesquisados 4.500 profissionais do setor). Os motivos: são muito ruidosos e reclamam demasiado. Bom, conhecendo-os como se comportam em casa, ou seja, na Espanha, não é de se estranhar. Realmente são duas características que saltam aos olhos ao conhecer a maioria dos habitantes da terra do jamón e das touradas.


Mas, creio eu, que tudo isso está relacionado a uma característica marcante de sua cultura: eles gostam de falar. No trabalho, fumando, tomando um café, durante o almoço, no bar, em casa... enfim, a vida não tem graça se não tiver uma boa conversa para enganchar. Encare um voo saindo da Espanha e entenderá melhor essa característica: eles não conseguem ficar sentados na cadeira, lendo ou ouvindo música. Eles tem que levantar e ir conversar com o amigo que está sentado umas 10 fileiras pra frente. O avião se torna uma verdadeira feira. Quando tem turbulência então, é um tal de sair nego voando pra tudo que é lado.

Sim, também é verdade que normalmente falam alto, o que as vezes lhes confere um tom agressivo (se analisado desde o ponto de vista "brasileiro"). Mas é só impressão mesmo, não existe nada de agressividade nisso.

Voltando ao estudo, eu tenho um ponto de vista um pouco diferente da maioria: não acho que eles reclamam demais. O que acontece é que como falam muito, acabam reclamando muito, em números absolutos. Proporcionalmente são parecidos com outros "povos". Somando-se a isso o alto e as vezes estridente tom de voz, temos a receita perfeita para que as pessoas achem que são chatos como turistas.

Outra coisa que não estou muito de acordo com tal pesquisa: que os espanhóis se esforçam em falar o idioma local, quando turistas, ao contrário dos franceses. A maioria das experiências que tive me dão a impressão do contrário. Na verdade penso que a maioria dos turistas espanhóis pensa que, sendo sua língua uma das mais faladas no mundo, todos tem que entendê-los. Agora mesmo estou num hotel em Londres que tem muitos hóspedes espanhóis. O "normal" seria que as pessoas se saludassem em inglês no elevador, certo? Muito bem, por aqui eles dizem "hola", "buenos días", "hasta luego" e "perdón", mesmo que no elevador estejam um cidadão de olhos puxados, outro de pele branca, cabelos loiros e 2 metros de altura e um negão vestido com roupas típicas do Zaire.

Quando estávamos em Budapeste aconteceu uma passagem interessante também. Os húngaros mal falam o inglês, imaginem o espanhol. Além disso, sua língua é indecifrável e não tem muitas palavras parecidas com as latinas ou com o inglês. Uma cliente espanhola em uma casa de banho discutia em alto e bom som com uma funcionária, explicando-lhe: "ya lo sé... mi tarjeta está en la taquilla de abajo... tengo que recogerla allí". Com um inglês mais ou menos a funcionária se esforçava em explicar que era necessário apresentar o cartão de entrada para o vestiário. E lá ia nossa amiga espanhola explicar novamente que seu cartão estava no armário do andar de baixo... em espanhol, claro...

Enfim, não é que eles sejam chatos. Mas parecem chatos...

sábado, 5 de septiembre de 2009

Tauromaquia - parte II - Dicionário taurino

"Seis toros de Jandilla, variados de hechuras y comportamiento. Con genio y problemas los tres primeros, de menor presencia. El primero, manejable, el segundo violento y el tercero enrazado y vibrante. Cuarto y quinto blandos y nobles. Sexto manso y manejable. Justos de terapio menos al cuarto con más plaza y romana.

Luis Francisco Espiá, que sustituía a Cayetano, ovación (pinchazo y estocada) y oreja (corta atravesada). El Juli, silencio (pinchazo y tres descabellos) y oreja con petición de la segunda (estocada trasera y descabello). Daniel Luque, oreja (estocada trasera y ladeada) y ovación (estocada). Coso de Llumbe, cuarto festejo, más de media entrada en tarde de sol."

Mais que um simples "esporte", a tourada ("corridas de toros") é um acontecimento social na Espanha, que merece destaque de pelo menos uma página inteira no jornal diário, além de matérias de fofocas sobre a vida pessoal dos toureiros mais famosos nas revistas "Contigo" da vida (aqui chamadas de "revistas de corazón"). Dada a importância, é natural que ao longo do tempo se tenha desenvolvido um linguajar próprio desta tradição (assim como acontece no futebol, com termos como rolinho, carretilha, bicicleta e outros tantos).

O trecho reproduzido acima é um resumo de uma tarde de tourada em San Sebastián (aquela mesma das praias famosas, que fica no País Vasco). Primeiro se descrevem os touros e sua "atuação". Touros mansos e tontos são odiados por aqui, sendo vaiados e xingados efusivamente pelos fanáticos. Se informa também qual o criador do touro, neste caso Jandilla. E logo passamos ao desempenho dos toureiros, onde se descreve como mataram o touro: "estocada" (enfiar a espada ou o estoque no touro causando-lhe uma feriada mortal), "pinchazo" (tentativa de estocada que termina por não ser mortal), "descabello" (enfiar a espada na nuca enquanto o touro ainda está de pé, matando-o instantanemante) e como sua atuação foi recebida pelos "torcedores": ovación (aplausos) ou orejas (quando a atuação é muito boa se costuma cortar a orelha do touro já morto, trabalho reservado ao ajudante do toureiro - parte de sua "cuadrilla").

viernes, 4 de septiembre de 2009

A vida imita a arte?

Lembram-se da cena do Titanic em que os músicos continuavam tocando "tranquilamente" enquanto o barco afundava? Então:

"Hay otros 84.985 desempleados más en agosto. Y la Seguridad Social pierde otros 142.244 afiliados. En la cola del paro del Inem ya hay 3.629.080 almas. Pero la vicepresidenta económica, Elena Salgado, se declara 'preocupada pero más optimista' hacia el futuro porque la tendencia es hacia una 'desaceleración del crecimiento del desempleo'".

- España sigue a la cabeza del paro en la Eurozona (jornal El Mundo)

Isso se falamos em Economia. Se formos aos Esportes as coisas não são muitos diferentes não...

- El COI destaca a Tokio y critica a Madrid su organigrama de trabajo y leyes antidopaje (20 minutos)

- Gallardón hace oídos sordos al COI: "Madrid ha salido fortalecida" (El confidencial)

A frase "O pior cego é aquele que não quer enxergar" não poderia ter melhor aplicação.

Liga das Estrelas - antecedentes...


Começou a Liga das Estrelas, como estão chamando por aqui a Liga Espanhola. Comprar jogadores com status de estrela por valores milionários é garantia de sucesso? A resposta clara é não. Exemplos não faltam, tanto na Europa como no Brasil. O time dos galácticos do Real com Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos e Beckham certamente deu retorno financeiro (se isso é o que conta), mas em termos de títulos não muito. E o trio dos sonhos do Flamengo então: Romário, Sávio e Edmundo...pavoroso!

O jornal 20 minutos publicou recentemente uma matéria com casos ilustres de fracassos de jogadores caríssimos na Espanha... e curiosos:
- Denílson (ex São Paulo e Palmeiras) que por aqui, assim como a maioria dos jogadores brasileiros tem fama de bêbado e baladeiro: "Al que fuera el fichaje más caro de la Liga (5.300 millones de pesetas) le confundía la noche sevillana."
- e o mais engraçado, o cidadão que na festa de apresentação foi fazer graça com a bola e caiu no meio do gramado com a arquibancada lotada - o uruguaio Marcelo Pato Sosa

jueves, 3 de septiembre de 2009

Enfim, férias!

É, amigo..."férias" é uma coisa muito séria por aqui. Pelo Brasil encontramos muitas pessoas com vários períodos de férias vencidas e que não tem um bom período de descanso há muito tempo, porque sempre tem muitos temas urgentes e importantes no trabalho. Aqui não. As férias são marcadas com antecedência, normalmente para um período de 2 ou 3 semanas, apesar de não ser raro quem tire até 4 semanas, principalmente nos meses de Julho e Agosto. Afinal, eles trabalham pra viver e não vivem pra trabalhar.

Entre os espanhóis há polêmica quando se discute se é melhor tirar as férias de forma concentrada em Julho/Agosto (como ocorre na maioria dos casos) ou distribuida ao longo do ano. Muitos reclamam que as empresas acabam forçando as pessoas a sairem de ferias nestes períodos, pois já está institucionalizado que estes meses são devagar mesmo. Além disso, é o período de férias escolares, e os que tem filhos aproveitam para desfrutar das "vacaciones" com eles. Apesar de aproveitar o calor - normalmente vão para a praia - financeiramente não é a melhor opção, pois neste período os preços estão bem mais salgados que no resto do ano.

Uma boa discussão sobre este tema, comparando o modelo espanhol e o inglês, pode ser encontrada aqui.


O longo período de férias pode causar a famosa (pelo menos por aqui) depressão pós férias. O raciocínio é simples: você ficou 2 ou 3 semanas na praia descansando, sem ninguém pra te encher a paciência, longe de todos os problemas do trabalho. Mesmo que goste do seu trabalho, no primeiro dia da volta tem que acordar cedo e quando começa a ler os emails já percebe a quantidade de problemas que vai ter que lidar. E dai começa a sensação de desânimo, cansaço etc. Para alguns este sentimento não dura mais que poucos dias, mas para outros a coisa se torna mais séria, podendo render uma visita ao psicólogo. Nada melhor para curar a depressão do que dar uma escapada no fim de semana, de preferência pegando a sexta feira pela tarde.

Falando de "longe dos problemas do trabalho", é quase impensável receber uma ligação de trabalho nas férias. Só no último dos casos que se pensa em incomodar alguém que está aproveitando seu merecido descanso. A maioria dos problemas não é suficientemente grande para isso, ou as pessoas que ficaram de backup são capazes de resolve-los. Tem muita lógica.

Se falamos então de vender férias (prática comum no Brasil quando se necessita de dinheiro ou se tem muitos dias acumulados) seus olhos se arregalam na hora. A eles parece um pouco absurdo vender seu período de descanso (e sua saúde). Se por acaso não consegue tirar todos os dias, que acumule para o ano que vem!

Outra prática muito comum por aqui são os chamados "puentes", que pela duração podem ser considerados verdadeiros viadutos. Na semana santa, por exemplo, muitas pessoas tiram férias a semana inteira (causando o efeito cidade-fantasma em Madrid, conforme descrevi aqui). Há ainda o costume de se tirar dias isolados durante o ano, como uma sexta ou segunda feira para poder viajar no final de semana.

Falando em fim de semana, também acontece nas empresas que se faça um rodízio às sextas feiras pela tarde, deixando apenas uma estrutura mínima para uma eventual emergência. Assim podem descansar para aproveitar a balada da sexta feira e também o final de semana que vem pela frente.

Não é uma questão de ser mais folgado que outros ou não. É uma questão de preocupação com sua saúde e com aproveitar a vida e equilibrar lazer com o trabalho. Aqui na Europa é comum encontrar países com mais ou menos 25 dias úteis de férias, além de 2 ou 3 dias para resolver assuntos pessoais, enquanto que nos EUA se tem somente 15 dias (muito pouco!!!).

No Brasil normalmente os que tem dinheiro não tem tempo para aproveitar férias tranquilas e desligar-se totalmente do trabalho, pois não querem afetar seu comprometimento com o mesmo. E os que tem mais tempo ou menor responsabilidade no trabalho não tem dinheiro sobrando para desfrutar umas boas e merecidas férias. Seguramente temos algo que aprender com os espanhóis.

domingo, 30 de agosto de 2009

Fim de semana esportivo

Este fim de semana foi bastante intenso em termos esportivos aqui na Espanha. A estrela principal foi o início da Liga Espanhola de futebol, a mais esperada da história. Mas o fim de semana não foi só de futebol. Fernando "Lloronso", como já está sendo chamado por aqui, decepcionou mais uma vez e abandonou quando chegou a estar em 3º. É engraçado ver que, apesar de ser uma unanimidade no passado recente por seus títulos e vitórias, atualmente há uma visível divisão entre os torcedores. Há os que culpam exclusivamente equipe e carro e acham um desrespeito criticar o campeão em oposição aos que pensam que ele sempre acha uma desculpa para suas performances abaixo do esperado e seu ego é demasiado grande para trabalhar em equipe. A chuva, a porca, o parafuso, a sujeira na pista, o mecânico...ó vida, ó céus, ó azar...

Será que ele é azarado mesmo? Bom, os boatos são fortes de que ano que vem ele estará na Ferrari. Quem sabe aí poderemos ter a prova de que se com carro bom ele é capaz de voltar a vencer...


Voltando ao futebol, alguns comentaristas exageram(?) que este será o melhor campeonato de todos os tempos de todo o mundo. Se analisamos as cifras das contratações dos clubes de primeira linha, não é mais que obrigação. Se em 2008 as equipes inglesas, subsidiadas por empresas árabes e americanas, lideraram o ranking de investimentos, em 2009 foi a vez dos espanhóis. Além de gastar mais de 350 milhões de euros em contratações, 6 dos 10 jogadores melhores pagos estão aqui. É verdade que tais cifras estão muito concentradas em Real Madrid e Barcelona e os outros clubes preferiram trocar jogadores no mercado interno. O jornal "El Economista" traz uma matéria interessante sobre estes números. Para os próximos anos, a gastança milionária (e as vezes irresponsável) pode estar com os dias contados: a Liga está estudando uma proposta para que as contratações estejam de acordo com as entradas.

Apesar de o Real Madrid ser o clube que gastou mais, quem continua dando as cartas é o Barça, que na sexta conquistou seu 5º título (Champions, Liga Espanhola, Copa del Rey, Supercopa espanhola e européia). Tanto que seus torcedores deitam e rolam, inclusive no YouTube (muito bom).

E ainda hoje, às 21h30, a seleção vice campeã olímpica de basquete masculino inicia sua luta rumo ao título europeu, contra Israel.

sábado, 29 de agosto de 2009

Brotes verdes

Se muitas dúvidas pairam sobre a economia mundial, a Espanha certamente não é uma exceção. Pelo contrário. Desemprego nas alturas (atualmente em 17% e podendo chegar facilmente a 20%), problemas de liquidez e solvencia nas cajas, 1 milhão de moradias (prontas ou em construção) sem muita perspectiva de venda, lentidão parlamentar para aprovar reformas necessárias são alguns dos obstáculos que os espanhóis estão enfrentando atualmente.

Com este cenário é difícil prever coisas boas para o curto e médio prazo. Mesmo assim, há quem pensa que os brotes verdes são um claro indicativo de que tudo começará a ir bem. Os jornais e programas de televisão (especializados ou não) ajudam enormemente para que essa visão se consolide. A bolsa espanhola (mais especificamente o índice bursátil Ibex35) tem quebrado diversas barreiras "psicológicas" nos últimos dias, o que também contribui para o otimismo descontrolado.

Outro dia aconteceu uma coisa interessante. No elevador encontrei um conhecido e mais 2 ou 3 amigos dele que desciam para almoçar. Ele perguntou a todos quando a Espanha sairia da crise, e todos, exceto eu, responderam em uníssono: a meados de 2010. Eu fiquei quieto. Não tenho a menor idéia, não está nada claro. Acho que as pessoas respondem com tanta convicção porque é o que ouvem todos os dias na televisão e também porque pensam que por trabalharem no setor financeiro devem ter uma visão definitiva e clara destes assuntos.

A pergunta não é bem "QUANDO", mas "COMO". Se injetar bilhões de euros na economia principalmente sob a forma de subsídios for a solução, a esperança é grande (é verdade que também se criou um fundo para reorganização das cajas de ahorro que pode chegar a 100 bilhões e que em princípio pareceu uma medida acertada).

Mas, e depois? Ficarão viciados em subsídios? Como fazer com que a economia seja mais competitiva? E que seja menos custosa e mais dinâmica no que se refere a criação de empresas e de empregos. E que reduza o peso em construção e turismo. Como evitar quebradeiras generalizadas no setor de construção que tem um estoque de mais ou menos 1 milhão de imóveis? E o endividamento do Estado? E o monte de imigrantes desempregados do setor de construção? Como evitar que as cajas quebrem e que não sejam apenas instrumentos de política local das comunidades autonomas? Enfim, a lista de "COMO?" é grande. E a lista de respostas é praticamente nula.

O meu grande ponto é: as coisas estão muito incertas para afirmar com convicção que no 2o semestre de 2010 a Espanha voltará a crescer a níveis aceitáveis. É impossível? Claro que não. Mas ainda há muita lição de casa pra ser feita.

Para uma visão mais aprofundada e bem argumentada em relação a este assunto, recomendo a leitura do post sobre a situação econômica atual da Espanha no Drunkeynesian.

De resto é torcer pra que tudo dê certo!

miércoles, 26 de agosto de 2009

Rapidinhas...

Pá e bola...

1) Alguém consegue fazer melhor cara de doido varrido que o Jack Nicholson? Assisti ontem a "The Shinning"... até então pensava que ele não conseguiria superar "One flew over the cuco's nest" (em portugês, Um estranho no ninho)... mas estava claramente enganado!

2) num post recente falei sobre o Miss Universo e a habilidade da brasileira falando inglês... nunca é demais recordar a onipresente (no YouTube) Miss South Carolina

3) O site 20minutos.es está fazendo uma pesquisa para saber quem deveria ser o parceiro de Benzema no ataque do Real. Surprendemente, Raúl não está ganhando! Está atrás de Granero (32%) e Robben (25% - o homem que mais perde gols feitos no mundo, apesar de ser um bom jogador), com 24%

4) É futebol ou karatê?

5) Desemprego? Aqui?



Fonte: Ministerio da Fazenda da Espanha

martes, 25 de agosto de 2009

Ainda sobre línguas, restrições...

Ainda sobre línguas, restrições e direitos: dia 1 de setembro entra em vigor na Eslováquia uma lei que obriga os húngaros (representam mais ou menos 10% da população) a falar eslovaco em público. Quem desobedece-la será obrigado a pagar uma multa que pode chegar a €5000. Justificativa: no sul do país, região na qual algumas cidades tem maioria húngara, os eslovacos estavam sendo pressionados a aprender húngaro (magyar, uma língua incompreensível). Além disso, respondendo às críticas dos políticos húngaros, o governo eslovaco disse que na época do império Austro-Hungaro os Habsburgo haviam feito o mesmo (mas em direção contrária, claro).

Imaginem como teríamos um "mundo melhor" se todos resolvessem cobrar as gerações atuais por problemas históricos...

Viajando até a América do Sul, não chega a surprender, mas em 2008 o "gênio" Evo Morales teve uma iniciativa digna dos mandatários populistas de esquerda que transbordam na América do Sul: visando "descolonizar" a Bolívia, criou as 3 primeiras universidades indígenas do país, "rebaixando" o espanhol ao mesmo nível do inglês, ou seja, de língua estrangeira. Nestas universidades as aulas serão em aimara, quechua e guaraní. Muito "inteligente" criar diferenças entre os habitantes de um mesmo país. Facilita a comunicação e incentiva o sentido de nação, fazendo com que todos remem para o mesmo lado...

lunes, 24 de agosto de 2009

"Cerrado por vacaciones" y "Disculpen las molestias"



Agosto!!! Que beleza!!! Verão no auge, calor, piscinas abertas e... obras e cidade vazia. ¿Qué pasa?

Este período do ano é certamente bastante singular na cidade de Madrid. Acostumada com o ritmo acelerado da capital de negócios da Espanha e com a invasão de turistas durante o ano todo, o mês de Agosto é um oásis de tranquilidade, exceto pelas obras. É algo inacreditável para quem vem de uma cidade como São Paulo. Por ali, no máximo por uns poucos dias de feriado a cidade fica vazia, mas por aqui o fenômeno começa já em Julho e se arrasta durante todo o mês de Agosto.

É "mania" nacional tirar férias (no mínimo por 2 semanas) neste mês. Sim, todos ao mesmo tempo. No trabalho, ficam no máximo 2 pessoas por departamento, com a vida mais que tranquila, já que não ocorrem reuniões, conferences, nada. Afinal, reunir-se com quem? Experimente enviar um email para uma lista de pessoas e verifique a % de retornos "Out of Office".

Nestas verdadeiras férias coletivas, há de se tomar cuidado pois muitos estabelecimentos privados e públicos tem seu horário de funcionamento reduzido. Muitas lojas e até mesmo restaurantes fecham durante o mês inteiro, com crise ou sem crise, exibindo a famosa plaquinha "Cerrado por vacaciones" na porta. Normalmente as grandes lojas e redes não fecham, mas dessa vez vi até um Starbucks fechado por férias.
Contrastando com esse cenário de tranquilidade, Agosto é quando se aproveita para realizar obras. Normalmente vemos vários trechos do metrô completamente fechados, para melhoria ou ampliação das instalações (é verdade que os trechos interrompidos são atendidos, gratuitamente, por linhas de ônibus especiais). Muitos restaurantes e lojas também aproveitam para reformas seus ambientes.

Neste ano em particular as obras na rua se multiplicaram pois o governo (municipal, estadual e federal) tem no gasto público em obras um dos pilares do seu plano de recuperação econômica e de geração de emprego. Em praticamente todos os bairros vemos ruas completamente quebradas, com operários trabalhando na recuperação de galerias de esgoto ou do asfalto. Desta forma, a placa "Disculpen las molestias" se tornou mais comum que placa de trânsito.

Por último, mas não menos importante está o calor. Os picos de 40 graus de temperatura no meio da tarde sem ter um lugar pra se refrescar cria um ambiente quase insuportável, se não fosse pelo ar seco por excelência, que facilita a adaptação ao clima.

Então, vale a pena vir pra Madrid em Agosto? Eu diria que, apesar dos preços de hotéis bastante razoáveis (não tem demanda pois todos vão pra praia), não é a melhor época do ano. Vários monumentos símbolo da cidade podem estar em restauração, além das ruas e bairros mais famosos estarem cheios de tapumes, cones etc. sinalizando obras interminadas. De quebra certamente você não vai poder aproveitar ao máximo da agenda cultural da cidade, que neste mês é consideravelmente reduzida. Vale a pena pagar mais e ir para as praias do sul se refrescar e cair na balada. Visite Madrid na primavera, quando a cidade tem um encanto especial...

domingo, 23 de agosto de 2009

Miss Universo 2009

Apesar de não ter a ver com a Espanha (aliás, contrariando os prognósticos a Miss Espanha fala inglês muito bem), vale o comentário. Alguma coisa está muito errada: ou em seu vídeo a Miss Brasil estava muito nervosa ou a matéria do Yahoo! não faz a menor idéia do que diz:

"Nascida em Natal, Larissa Costa de Oliveira fala português e inglês e, além de ser modelo, trabalha para a Secretaria de Educação da capital do Rio Grande do Norte."

Vendo o vídeo postado no
YouTube há umas semanas atrás, a conta não fecha. Nem absolutamente, nem comparativamente: é só dar uma olhada nos vídeos das outras misses (especialmente a da Colômbia). Pode ser até que ela seja muito inteligente, desfile bem e faça boas ações, mas definitivamente o inglês não parece ser o seu forte.

Apesar disso, nossa Miss é uma das favoritas ao "título" a ser definido hoje nas Bahamas. Aguenta coração!!


sábado, 22 de agosto de 2009

Falta de foco...

O Brasil não é o único que tem o privilégio de ter uma classe política que frequentemente perde o foco dos assuntos mais importantes da nação. Por aqui é igual, as vezes pior. Uma das manias mais irritantes que existem é situação e oposição exigirem que membros do partido oposto compareçam ao Congresso todas vezes que acontece algo errado.

A última foi protagonizada pelo PP (Partido Popular, de oposição), solicitando que o ministro de Fomento - do PSOE (partido de situação) - fosse ao Congresso explicar o apagão de 1 hora no terminal 4 do aeroporto de Barajas. OK, é grave que isso tenha acontecido e as devidas investigações devem ser levadas a cabo. Mas qual o objetivo de levar o cara a depor no Congresso? Não se tem confiança de que as instituições fazem seu trabalho imparcialmente e corretamente? Não creio que seja isso. Creio que o motivo seja montar o circo, expor o outro partido ao ridículo, colocando alguém para tomar pancada numa roda viva sem fundamento.

Frequentemente Zapatero (PSOE) e Rajoy (PP) se "enfrentam" no Congresso, com o suposto objetivo de discutir os problemas da nação. Não saem mais que acusações de incompetência para ambos os lados e os problemas centrais passam longe de serem discutidos em profundidade. Parecem dois cancioneiros nordestinos tentando esculachar um ao outro, provacando risos de escárnio da platéia. Num dos últimos encontros Zapatero disse, em pleno Congresso e em rede nacional, que Rajoy era bom... bom de perder eleições. Isso lembrou muito nosso querido presidente Lula (na época então candidato): "o candidato Maluf é muito competente porque ele compete, compete e nunca ganha". Pode até ser engraçado, se fosse um humorista, não de um dos políticos mais importantes do País.

Num país de primeiro mundo que necessita urgentemente de reformas que dependem de políticos é triste e "escalofriante" (como dizem por aqui) que isso aconteça com a frequência que acontece.

viernes, 21 de agosto de 2009

¿Banco = Imobiliária?

Deste lado do Atlântico um fenômeno interessante ocorre desde meados de 2008 no mercado financeiro espanhol. Com o estouro da bolha imobiliária e a crescente falta de liquidez no mercado, muitas construtoras ficaram com o mico na mão, não conseguindo vender empreendimientos novinhos em folha, por total falta de compradores. Se as construtoras não vendem, não tem como pagar os bilionários empréstimos que contraíram junto aos bancos (e "cajas de ahorro") para financiar as obras. Os bancos, por sua vez, para que não apresentem taxas de morosidade inflacionadas e não ter que reconhecer perdas astronômicas, tomam o imóvel e tentam eles mesmo revendê-los com desconto. O mesmo acontece quando alguém não consegue pagar sua hipoteca. Nesse caso, o comprador inicial do imóvel não tem lá muitos incentivos para pagar uma hipoteca baseada em um valor muito superior ao valor de mercado atual do imóvel. Isso faz com que a carteira imobiliária dos bancos e "cajas de ahorro" destes imóveis "adquiridos" (atualmente em 15,3 bilhões de euros) sejam comparáveis a das maiores construtoras do país.

Ainda que os descontos cheguem a 30% em alguns casos, o estoque de imóveis na carteira dos bancos não pára de aumentar desde inícios de 2009 (é verdade que Julho apresentou retração), basicamente por 3 motivos: a renda disponível diminuiu, o medo do desemprego (que impediria o comprador de continuar pagando a hipoteca) é enorme e todos esperam que os valores de imóveis caiam ainda mais. Também é verdade que alguns estão conseguindo vender muitos dos imóveis tomados (como o Santander, que já vendeu mais de 50%), mas não se sabe se a tendência é de que nos próximos meses o ritmo de "aquisição" dos imóveis provenientes de dívidas não pagas se reduza.

Como se diz por aqui, "es la pescadilla que se muerde la cola".

jueves, 20 de agosto de 2009

Caçadores de mitos - O espanhol não sabe falar inglês

Antes de começar a série "Caçadores de Mitos" (claramente plagiando o programa de televisão), quero deixar uma coisa clara: odeio generalizações. Do tipo: o brasileiro é... ou, o espanhol é... tudo depende... depende da região, da idade, do momento histórico... de um monte de coisas... ainda mais se forem feitas baseada em análises superficiais e comparando "laranja com maçã".
Claro que há características que são mais frequentes em alguns lugares que outros. E é disso que se trata. Tentar identificar se o "mito" ocorre com frequência relativa maior por aqui que nos outros lugares... ou as vezes em alguma região da Espanha. Sempre comparando "laranja com laranja". Esse primeiro mito não é necessário ir muito longe para comprová-lo. Não são necessárias estatísticas. Os próprios espanhóis admitem.

Aprender inglês é uma coisa relativamente nova para eles. Em muitas escolas, ao contrário do Brasil, a língua estrangeira era o francês até a década de 60. Mesmo entrando no currículo básico escolar a partir de então, o ensino do inglês sofre muitas críticas de especialistas, sendo as mais frequentes as de que se inicia tarde (antes aos 10 anos e recentemente aos 6) e de que apesar de passar 10 anos da vida escolar tendo 3 ou 4 horas semanais de aulas, saem da escola sem saber se expressar corretamente, e muito menos, fluentemente. Ou seja, o método de ensino e principalmente os professores são muito criticados.

Junta-se a isso os "maus" exemplos (nesse sentido) que abundam na elite política e empresarial: é uma tristeza ouvir uma entrevista de um representante destas classes em inglês, incluido aí o atual presidente do governo, Jose Luis Zapatero. Isso, segundo os próprios espanhóis, tem consequências políticas graves, pois numa reunião entre vários países em que o inglês é a língua oficial a Espanha é deixada de lado, pois seu representante maior não consegue se comunicar e participar das conversas.

É verdade que mesmo que aprendam o idioma, os espanhóis tem um problema fonético prático: os sons de algumas letras são distintos em relação ao inglês. As vezes, apesar de gramaticalmente correto, é esquisito ouvi-los falando com um sotaque muito carregado (assim como os italianos e indianos). Como fazê-los entender que o "Y" em inglês não tem o som de "DJ", que o "Z" não tem som de "Ç" com a língua entre os dentes e que o "L" também é diferente, sem falar no "V" que não tem som de "B". Foi assim que eles falaram a vida inteira. Mudar não é tão simples, ainda mais num país onde se valoriza falar as palavras estrangeiras com sotaque local (por exemplo, a banda irlandesa U2 (U-two) se torna U-Dos).

Pra piorar as coisas, por aqui os programas de televisão em inglês são dublados (mesmo nos canais de TV a cabo), assim como os filmes no cinema. Em Madrid, por exemplo, existem uns 4 cinemas que exibem versão original. Juntando a deficiência (ou até mesmo ausência) de estudo da língua quando jovem com a falta de familiaridade no decorrer da vida, a bagunça está feita.

Muitas empresas espanholas tem presença internacional (e até global) - Repsol, Santander, BBVA, Telefonica, Zara entre muitas outras - e fica muito claro o quanto essa deficiência atrapalha na hora de comunicar-se. Muitas vezes as reuniões se tornam improdutivas quando a língua dos participantes não é a mesma e a comunicação é em inglês. Frequentemente as pessoas não se entendem e o resultado são reuniões demoradas, às vezes cômicas.

Por último, mas não menos importante, ainda existe uma parcela relevante da população que acredita que não há problema nisso, pois, segundo eles, também existem muitos povos (incluindo americanos e ingleses) que não falam espanhol, e que o espanhol é a 3ª língua mais falada do mundo. Ou seja, se eles falarem espanhol no estrangeiro, os outros tem a obrigação de entender.

O resultado se pode ver claramente na última pesquisa Eurobarometro, realizada em 2006: apenas 27% dos espanholes falam inglês, estando a Espanha em último colocado da União Européia. Não precisa ir muito longe pra ver que em países como Holanda, Alemanha e Suiça a situação é beeem diferente. Há quem diga que até mesmo os 27% estão inflacionados, pois apenas cerca de 5% conseguem se expressar com alguma fluência. Ou seja, comparando "laranja com laranja" (não adianta comparar com o Brasil, certamente ficaríamos atrás), a foto não é nada boa.

Perspectivas de melhora para o futuro? Apesar de todos os fatores jogando contra, parece que sim. Primeiro pelas necessidades criadas pela globalização, falar inglês se tornou essencial, ainda mais estando tão próximos da Inglaterra (os ingleses não vão falar espanhol nem a pau). Há um intercâmbio muito forte com a terra da Rainha. Cada vez mais jovens vão até lá (e ultimamente também à Irlanda) para complementar seus estudos, trabalhar e de quebra aprender o idioma. No ensino básico esta língua tem muito mais peso que alguns anos atrás. Aprendendo desde jovens seguramente falarão muito melhor que as gerações anteriores. Nas empresas maiores se observa também maior incentivo e demanda por aulas, além de maior intercâmbio com países de língua inglesa (tanto enviando como recebendo funcionários). E, por último, está sendo incentivada a criação de escolas bilingues, tanto privadas como públicas.

Fica a dúvida de como será no futuro. Mas o fato é que no presente os internautas continuam se divertindo com os vídeos de personalidades espanholas falando inglês, como Zapatero, Aznar (ex-presidente do governo) e o ex-ditador Franco.

miércoles, 19 de agosto de 2009

Farofa...

Na praia, no parque, no jogo de futebol, no show de música. É muito comum ver os espanhóis comendo sanduíches trazidos de casa, fazendo a famosa farofa. Por aqui esse tipo de farofa, mais "clean", não tem uma conotação tão negativa e é amplamente aceito.

Tal observação foi confirmada pela recente pesquisa publicada no jornal "20 minutos". Cerca de 70% dos entrevistados dizem que levam um sanduíche (bocadillo) pra praia e outros eventos. Dentre os "farofeiros", o preferido é o de jamón com tomate (29%) e o de tortilla de patatas (16%). Peraí, os caras comem pão com tortilla? Claro! E também comem pão com lula a dorê (bocadillo de calamares), com atum e pimentão etc. Aliás, um dos sucessos em Madrid é uma "lanchonete" chamada "100 montaditos", tanto pela quantidade (mais de 100 opções de mini sanduíches salgados e doces), como pela qualidade e preço (cada um sai por mais ou menos 1 euro). Da estranheza no início, confesso que passei a fã incondicional de todos os tipos de bocadillos.

Meada popular

Solidariedade é tudo nessa vida. Girona é uma cidadezinha perto de Barcelona (os voos da RyanAir descem em Girona, e não em Barça). Olha só o que aconteceu por lá: dois cidadãos foram pegos com a mangueira na mão mijando em local público. As autoridades locais resolveram impor uma multa de 750 euros aos mijões, mas não contavam com a reação de solidariedade de seus amigos e dos simpatizantes da mijadinha na rua depois da balada. Estes organizaram uma mijada popular, ou seja, marcaram um horário para todos saírem a rua e mijarem ao mesmo tempo. Fenomenal!

O povo unido jamais será vencido. Veja mais aqui.

martes, 18 de agosto de 2009

I don't give a fuck...

Depois de fazer 2 anos de aulas de espanhol você acha que seu nível é avançado e pode se comunicar muito bem. Ledo engano... bastou uma semana e algumas reuniões por aqui pra ver que eu iria pastar bastante até chegar a um nível aceitável.


Enfim, com o passar do tempo fui aprendendo várias expressões tipicamente espanholas e melhorando meu vocabulário. Umas das primeiras que aprendi foi "me importa un pimiento". Meu chefe mandou uma dessa em uma reunião, me explicando depois que é o mesmo que "me importa muito pouco". OK, internalizei-a. Poucos dias depois, uma colega de trabalho disse uma parecida: "hazlo como quieras, pues eso me importa un comino". Perguntei a ela se isso significava que não tinha importância nenhuma, recebendo uma resposta positiva. OK, internalizei-a. Passa o tempo, reunião com o chefe, repassando as prioridades. Pergunto: "y eso, que prioridad tiene?". E ele: "eso me importa un huevo" e logo passamos a outros temas. "Agora sim, não preciso nem perguntar", pensei. Um pimentão, um cominho e um ovo valem a mesma coisa, isso não tem prioridade nenhuma. E coloquei tal item lá embaixo na lista de coisas a fazer. Um dia depois recebo um email perguntando se aquela tarefa (classificada mentalmente com o valor de um ovo) já havia sido feita, pois ele queria ver-la urgentemente. Caiu a ficha. Imaginando o mal entendido, fui explicar ao chefe, virando motivo de piada... Por fim ele me explicou que isso significava exatamente o contrário. E que na linha do pimiento e do comino ainda há o "bledo" (uma plantinha).

Moral da história: comunicar-se bem em uma língua que não é a sua leva tempo e dedicação, além de vários mal entendidos. E, pelo menos na Espanha, um ovo vale muito mais que um pimentão.

Os dez mais influentes


A boa revista "Actualidad Económica" publicou este mês o ranking das pessoas mais influentes na Espanha. A metodologia é simples: através de seu site web as pessoas deveriam escolher as 10 mais influentes; a primeira receberia 10 pontos, a segunda 9 pontos e assim sucessivamente.

E o resultado foi:

1º) Emilio Botín - presidente do Grupo Santander

2º) José Luis Rodrigues Zapatero - presidente do governo da Espanha

3º) Mariano Rajoy - líder do partido de oposição (PP)

4º) Florentino Pérez - empresário e presidente do Real Madrid

5º) Maria Teresa Fernández de la Vega - primeira vice-presidente da Espanha

6º) Esperanza Aguirre - governadora da comunidade de Madrid

7º) Amancio Ortega - dono da Zara, entre outras

8º) Rafael Nadal - tenista

9º) Pedro J. Ramirez - diretor do jornal El Mundo

10º) Francisco González - presidente do BBVA

Estranho o presidente do país não ser a pessoa mais influente, mas se considerarmos a crise econômica (principalmente o desemprego) e o quanto o "povo" o está considerando incapaz de lidar com ela, é coerente. Além disso, apesar da crise, a empresa de Botín ascende como um dos maiores e mais fortes bancos do mundo, o que colaborou ainda mais para sua imagem de mago das finanças. O bom desempenho dos bancos espanhóis também se reflete na escolha do presidente do 2º maior banco do país, o BBVA, como o 10º mais influente.

Como o conceito de "influente" pode ser subjetivo, a aparição de Rafa Nadal não assusta. O "líder" da "armada" espanhola dificilmente resolverá a crise econômica e política, mas colocou novamente o tênis na primeira página dos jornais, sendo um dos motivos de orgulho e confiança nacional. Fale mal de Nadal por aqui e você entenderá o "poder" do garoto.


Florentino Perez, apesar de figurar entre os 20 nos últimos 4 anos, com certeza teve uma ajudinha de suas contratações galáticas Kaká e Cristiano Ronaldo. Amancio Ortega é o dono da Inditex, cuja marca mais conhecida é a Zara. É a pessoa mais rica da Espanha e a 10ª do mundo (tem meros 18 bilhões de dólares), batendo de longe a Emílio Botin. Uma das coisas curiosas de sua vida é que seu segundo casamento foi com uma funcionária de uma de suas lojas.

Casillas e Luis Aragonés, impulsionados em 2008 pelo título da Eurocopa, desapareceram dos 100 mais em 2009.

Como seria este ranking no Brasil? Dificil prever. Com certeza Lula seria o primeiro. O resto... bom, depende do momento. Depois do escândalo dos travestis com Ronaldo Fenônemo, "o" André Luis certamente figuraria entre os primeiros. Depois do título da Copa do Brasil, o mesmo Fenômeno estaria nas cabeças. E assim vai...

Apostas?

lunes, 17 de agosto de 2009

¡A mi me gusta, tío!

Aos que gostam de blogs de economia recomendo o blog do Manuel Romera: http://blogs.expansion.com/blogs/web/romera.html
Uma visão coerente e consistente sobre os temas econômicos mais importantes na Espanha e no mundo, sem se deixar levar por otimismos ou pessimismos infundados.

Direto do mundial de atletismo

É ouro!!! Marta Dominguez, primeira medalha espanhola no mundial de atletismo - nos 3.000 metros com obstáculos. A Espanha não ganhava um ouro desde 1999!!! Veja mais aqui.

¡Acabou em paella!

A punição da FIA a Renault acabou em paella: multa de 50.000 dólares e permissão para que a equipe corra o GP da Europa, em Valência. A venda de ingressos não é das melhores, apesar de ter sido impulsionada pela notícia de que Schummy correria (50% segundo estimativas da organizadora). Impossível saber se a decisão teve relação direta com as dificuldades comerciais, mas do jeito que Alonso é unanimidade por aqui é bem possível que as vendas aumentem consideravelmente. Em relação ao ano passado, o número de ingressos postos a venda diminuiu de 110.000 a 70.000, sendo que em 2008 tivemos arquibancadas cheias. Este ano, até dia 4 de agosto, foram vendidas cerca de 40 mil ingressos (fonte: Marca.es). Outro sinal de que até agora as coisas não vão tão bem é a taxa de ocupação dos hotéis: em 2008, hotéis lotados e preços até 3x maiores que as temporadas normais. Em 2009, vagas sobrando e promoções.

Certamente a Valmor Sports, organizadora do evento, está comemorando a decisão da FIA.

domingo, 16 de agosto de 2009

Esclarecedor...

"Esposas" em espanhol, significa "algemas" em português.

sábado, 15 de agosto de 2009

Picaretagem a espanhola


Picaretagem não é privilégio dos habitantes de Bananópolis (como diria um amigo meu). Aqui na Espanha também se podem encontrar picaretices das grandes, algumas dentro e outras fora da lei.

Na categoria das que estão teoricamente dentro da lei estão os serviços de informação de localização de blitz policiais pelas ruas de Madrid. Ao sair bêbado da balada, o cidadão envia um SMS a uma central solicitando a localização das blitz entre um ponto e outro. Poucos minutos depois recebe a resposta em seu celular. E segue tranquilo (ou não) e breaco dirigindo seu carro até sua casa, desviando dos pontos de controle. O dono da empresa garante que não há problema algum e a intenção é que as pessoas, caso não estejam aptas a dirigir pelo nível alcólico no sangue, podem se dirigir às blitz e solicitar apoios aos policiais. Santa cara de pau! Veja mais em http://www.ondacero.es/OndaCero/noticia/servicio-sms-avisa-los-controles-alcoholemia-Madrid/5752030/ws

Também muito picareta, o "servicio de coartadas" é fantástico. É um site especializado em enganar. Pra variar, foi uma idéia copiada de um serviço norte americano.
Precisa dar uma desculpa por ter faltado ao trabalho? Quer dar uma escapada com a amante no final de semana? Não se preocupe que o serviço de coartadas cuida de tudo. Documentos, passagens, certificados de enfermidades, convites de congressos, lembrancinhas de cidades que teoricamente você visitou, tudo para que a mentira fique a mais crível possível.
E se você acha que este é um serviço que a maioria esmagadora da clientela é masculina, pasme: 50% dos clientes são mulheres.
O dono garante que tudo é feito dentro da lei e que as enganções existem com ou sem o serviço. Eles somente facilitam as coisas...Confira: www.serviciodecoartadas.com

Na categoria das ilegais, uma muito famosa por ai no Brasil: o boa noite cinderela (beso del sueño, por aqui). Duas mulheres foram presas (uma paraguaia e outra equatoriana) por matarem dois homens com doses excessivas de substâncias que colocaram em suas bebidas. Para garantir que a vítima não ia acordar, elas entuchavam drogas na bebida, sem ter a menor idéia se tal quantidade podia ser letal ou não.

Vai, Espanha!

jueves, 13 de agosto de 2009

Um país, várias línguas - A nova lei de educação catalã



É um pouco estranho para nós brasileiros imaginar viver em um país em que se falam oficialmente várias línguas e que em alguns cantos existem pessoas que não conseguem falar a língua oficial do país (poucos, é verdade). Esse é o caso da España. Atualmente são 17 comunidades autonomas (+ 2 cidades autonomas - Ceuta e Melilla), tendo o castellano (conhecido também como "espanhol") como língua principal e mais outras linguas co-oficiais: Catalão, Vasco (Euskera), Valenciano, Gallego e o Aranés. Mas ainda podemos encontrar outras línguas que não gozam do status "oficial" (por exemplo, o asturiano e o cantabro).

Normalmente não há grandes problemas nisso, existe uma convivência "pacífica" entre as línguas. Mas uma lei recentemente aprovada da comunidade da Cataluña vem gerando muita polemica e principalmente críticas. Até hoje, os pequerruchos catalães tinham a liberdade de escolher em qual língua receber sua educação fundamental, pois há uma divisão entre os que procedem de famílias que falam o castellano e os que falam catalão em casa. Mas, segundo a nova lei, o idioma oficial será o catalão, estando relegado o castellano ao décimo plano, inclusive atrás de línguas estrangeiras como o ingles e o frances. Antes os pais de alunos podiam escolher na ficha de inscrição de seus filhos na educaçao básica qual língua deveria ser utilizada. Essa opção foi suprimida. Os que quiserem aprender em castellano somento poderão faze-lo durante um ano (aos 6 anos) e de forma "individualizada" (seja lá o que isso signifique). Nos outros anos seram dedicado no máximo 2 horas de aula por semana ao idioma da pátria-mãe.


Apesar de aprovada a lei, este ponto em específico causou enorme reação em todos os lados, inclusive de políticos da Cataluña. Não consegui encontrar um só artigo defendendo tal lei. Por outro lado os que a criticam transbordam nos maiores veículos de comunicação. O principal impacto disso, dizem, é que a próxima geração não será bilingue, e se criará mais um fator de diferenciação entre as pessoas desta comunidade e das outras (o que se tem acentuado ultimamente), prejudicando a unidade da nação. Além disso, infringe o direito a liberdade de se escolher em qual língua alfabetizar seu próprio filho, garantido pelas leis federais.

Dentro da lógica nacionalista, faz sentido. E pelo que parece o governo federal fica cada vez mais de mãos atadas diante desse avanço sutil mas constante dos nacionalistas catalães. Isso porque, como necessita de seu apoio para ganhar eleições e votos no legislativo, acaba sendo complacente com leis desse tipo. No futuro isso pode resultar em que a frase que aparece numa faixa da torcida do Barça ("Catalunya no es España" - em uma das fotos que adorna as paredes do museu do clube) seja cada vez mais verdadeira.


Um último comentário, mais "light", sobre o catalão. Se realmente se mantiver esta lei por muito tempo, provavelmente você terá que aprende-lo para visitar Barcelona ou as boas praias da Costa Brava (de quebra poderá ir esquiar em Andorra falando o idioma local). Mas não se preocupe, é muito fácil. As palavras se dividem em 2 classes:

a) as que tiveram grande influência do nosso querido e falecido Mussum (ele mesmo, o dos Trapalhões). Diz a lenda que os filmes como "Os trapalhões e o rei do futebol" fizeram tanto sucesso por lá que algumas palavras de seu vocabulário foram incorporadas ao nativo. Vejam só os exemplos (portugues -> espanhol -> catalão):

- formulários -> formularios -> formularis
- anúncios -> anuncios -> anuncis

b) as que se escrevem exatamente igual ao espanhol, exceto pelo "N" final. Exemplos
- estação -> estación -> estació
- tradução -> traducción -> traducció


Cacildis!

miércoles, 12 de agosto de 2009

Relevância vs Orgulho Nacional - A crise da Salsinha


Precedentes: a Ilha de Perejil (ou Leila, em árabe) é desabitada e tem 1,5 Km quadrados de superfície. Não tem petróleo, gás, ouro, prata, ferro... Nada.

"Em julho de 2002, o governo do Marrocos mandou 12 soldados para uma ilha minúscula chamada Leila, distante algumas centenas de metros de sua costa, no estreito de Gibraltar, e fincou sua bandeira lá. A ilha é desabitada, exceto por algumas cabras, e tudo que viceja por lá é salsinha silvestre, daí seu nome em espanhol, Perejil. Mas sua soberania era disputada havia muito tempo entre Marrocos e Espanha, e o governo espanhol reagiu com vigor à "agressão" marroquina. Dentro de poucas semanas, 75 soldados espanhóis foram transportados de avião para a ilha. Eles arrancaram a bandeira do Marrocos, hastearam duas bandeiras espanholas e mandaram os marroquinos de volta para casa. O governo do Marrocos denunciou o 'ato de guerra' e organizou comícios em que centenas de jovens gritavam 'nossas almas e nosso sangue sao sacrificios a ti, Leila!'. A Espanha manteve seus helicópteros militares pairando sobre a ilha e seus vasos de guerra ao largo da costa do Marrocos. De longe, a coisa toda parecia uma ópera cômica. Mas, por absurdo que pudesse parecer, alguém teria que fazer os dois países se acalmarem."
(fonte: O mundo pós americano. Autor: Fareed Zakaria - a propósito, o livro é muito bom)

Lendo essa passagem sem conhecer o histórico de conflitos entre os dois países, dá vontade de rir. Como pode a Espanha, um país de primeiro mundo e a 9a economia do planeta se meter em tal "picuinha"?

Analisando os últimos 100 anos de história espanhola encontramos diversos episódios de atritos com o Marrocos, mais ou menos sérios. A principal contestação dos marroquinos é em relação a Ceuta e Melilla, que são cidades autonomas espanholas na África desde 1668, a partir de um tratado entre Espanha e Portugal(!!!). Além disso, até pouco tempo outra parte de seu território, o Sahara Ocidental, era de controle espanhol.

É verdade que a ilha de Perejil (ou Leila) tem uma importância economica inexistente, mas os governos se justificam dizendo que a pequena ilha teve importancia estratégica para "controle" do estreito de Gibraltar no passado e por isso não deve ser ocupada por ninguém, não alterarando o "equilíbrio de forças na região", já que nunca chegaram a um acordo sobre a mesma. Mas com certeza o orgulho ferido e a vontade de não abrir precedentes jogaram um papel importante nesta situação. É importante mostrar quem é que manda e que decisões unilaterais não serão toleradas. Nesse caso, decisões intempestivas são muito prováveis, tudo para defender a soberania nacional. Ainda mais quando a opinião pública pressiona o governo: na época uma pequisa do jornal espanhol "El Mundo" mostrou que 66% dos espanhóis apoiavam a intervenção militar.

Talvez o mais sensato fosse uma saída diplomática. Mas enfim, nem sempre o mais sensato é possível ou desejado. E nem sempre os dois lados são sensatos. Lembram da estatização das refinarias de gás de empresas estrangeiras na Bolívia? Com certeza no Brasil tivemos partidários de invadir a Bolívia, não?

Concluindo, não sou analista de política internacional nem entendo muito do assunto. Mas neste caso as coisas são muito claras. Sou partidário da análise caso a caso. No caso de Perejil, se fosse o governo espanhol, a deixaria com o Marrocos por dois motivos:
1) não serve para nada, só para gerar conflitos. A Espanha tem mais com o que se preocupar
2) não abriria precedentes para nada. Duvido que depois de receber esta ilhota o governo marroquino tentaria invadir Ceuta ou investiria seu grandioso poderio militar em um ataque surpresa a Madrid. O Marrocos é governado por um rei no estilo que tem poderes para mandar e desmandar. Ou seja, está mais do que claro que a parte sensata deveria ser a España. Realmente, NÃO PRECISAVA!!!

Esta é uma passagem interessante da história da Espanha e um exemplo de como transformar uma questão totalmente irrelevante em um conflito diplomático grave.

martes, 11 de agosto de 2009

Enchendo a pança em Madrid - parte I



Uma coisa não se pode negar: comer em Madrid é mais que uma refeição, é uma experiencia gastronomica. É impressionante a quantidade e variedade de bons restaurantes que se encontra por aqui. É verdade que em termos de número os bares (de tapas, copas etc.) superam os restaurantes (andando na rua parece que há um bar para cada madrileño). Bom, em um próximo post pretendo tratar do tema Gastronomia na España, que dá muito pano pra manga. O objetivo deste é iniciar uma longa lista de sugestões de bons lugares para se comer bem em Madrid, pagando pouco...ou nem tanto.

Difícil escolher um pra começar. Então melhor começar com um dos que mais vezes fui desde que cheguei a Madrid: a Casa de Valencia. O grande atrativo desta casa é um dos pratos espanhóis mais conhecidos pelo mundo afora, a Paella! Especialmente nos restaurantes mais baratos do centro voce encontrará milhares de tipos de paella, mas não são das melhores...já a Casa de Valencia foi escolhida há alguns anos como a melhor paella da España. Não é fraco não.

A paella original é a valenciana, originada na zona rural de Valencia entre os séculos XV e XVI. A idéia era cozinhar lentamente arroz, açafrao, azeite, carne de aves ou coelho e as verduras que estivessem a mão. Depois surgiram a paella marinera (com frutos do mar) e a paella mixta. Além destas, na Casa de Valencia pode-se experimentar o famoso "arroz negro", que "nada" mais é do que arroz com lula em rodelas cozinhados em sua tinta.

Para não perder a viagem, pode-se começar com deliciosas entradas, apesar de que o prato principal já é suficiente para matar fome de qualquer tamanho. Queijo manchego, morcilla de burgos, patatas bravas (com molho picante), jamón...enfim, tem pra todos os gostos. Caem muito bem acompanhados de um bom vinho tinto. Os da região de La Rioja são muito bons, mas pode-se pedir o vinho da casa que também será bom e por um preço razoável (a garrafa). Ah, de couvert costumam vir empanadas de atum e azeitonas.

Como prato principal, ela, a Paella. Só é possível pedir para no mínimo duas pessoas. O garçom traz a paellera pelando, soltando vapor, para que o cliente a aprove antes de servi-la. É digna de tirar foto.

Pra terminar, depois de todo este banquete, ainda te sirvem um licor e frutas cristalizadas (destaque para a abóbora, uma delícia). Apesar de não ser dos mais baratos, a Casa de Valencia não chega a ser cara: tudo isso sairia por mais ou menos 35 euros por pessoa. Pra terminar, o endereço: fica no Paseo del Pintor Rosales, 58, perto do Metro Arguelles (linha 4).

Bom apetite!

2 Pesos, 2 Medidas



As vezes ao encarar uma situação diferente da que se está acostumado podemos ser hipócritas. Muitas vezes usando o famoso "dois pesos duas medidas", frequentemente sem muita consciencia de que estamos falando da mesma coisa, que diferem um pouco pela forma e principalmente local de onde ocorrem.

No período em que vivo por aqui já vi isso acontecer algumas vezes, tanto com brasileiros em relação aos espanhóis como vice versa. Um exemplo interessante acontece na "moda" feminina. Se voce for a uma praia espanhola ou até piscina pública, provavelmente encontrará algumas pessoas (de quase todas as idades) fazendo "top less", mas dificilmente usando fio dental. Perguntando por ai por que isso acontece, na lógica local não faz sentido ficar mostrando a bunda na praia ou na piscina (acrescentaria que isso é coisa de brasileira - aliás, os biquinis mais "curtos" por aqui são conhecidos como "brasileños", assim como as depilações mais "cavadas"). OK, a mentalidade é diferente. Não seria incoerente se não fosse comum encontrar nas ruas das grandes cidades mulheres usando calças bastante transparentes e calcinhas....fio dental!!!!
Na praia não pode, mas na cidade com um paninho transparente por cima pode! Sei...

Aliás, falando desses assuntos, um causo. O pessoal por aqui (Europa em geral) é tão desencanado com esse negócio de top less, que já ouvi histórias de gente que levou as fotos das férias na praia com os melões a mostra pra mostrar no trabalho. Claro que o objetivo não era mostrar os seios e sim as fotos das férias. E claro que isso não é comum, mas já aconteceu!

Parece mesmo que os seios não são tanto objeto de obsessão por aqui, mas o mesmo não se pode falar da bunda ("el culo"). Primeiro que esta palavra está muito presente nas conversas do dia a dia ("a tomar por culo") e até nos comerciais de televisão (em um de fraldas - "el culito del bebé"). Segundo que os espanhóis admiram uma boa bunda (¡eso es!), principalmente as fartas das brasileiras (cujo "culo", quando farto, é carinhosamente chamado de "respingón").

PS.: existe, ainda, o culito de pollo, que é aquele pequeno/medio mas empinadinho.

lunes, 10 de agosto de 2009

Consequências da crise


Se no Brasil nosso ilustre presidente disse a quem quisesse ouvir que a crise não passava de uma marolinha, por aqui a crise economica está afetando bastante a vida dos cidadãos. Com origens em certa medida distintas da crise norte americana, a crise na Espanha logo mostrou um de seus efeitos mais cruéis: o desemprego. Juntando fatores estruturais internos com falta de investimentos e liquidez externa, estima-se que o nível de desemprego local pode chegar aos 20% da PEA, nível que não se atingia desde antes do boom da economia espanhola após entrar na zona do Euro.

O efeito ao cotidiano dos espanhóis é claro: é o assunto mais comentado na imprensa faz tempo, os restaurantes fast food aumentam suas vendas enquanto que os outros acumulam perdas, os partidos políticos não param de se acusar na TV, a bolsa caiu para mínimos históricos afugentando os investidores (apesar de no último mês o Ibex35 ter sido o que mais se recuperou na Europa) etc. Mas um deles é especialmente visível: o aumento do número de pessoas vendendo badulaques na rua, pedindo dinheiro e até oferecendo trabalhos de magia com mestres africanos "altamente reconhecidos no mundo". Esta última forma está presente principalmente na saída dos metrôs, onde jovens de origem africana entregam "flyers" promocionando as qualidades dos "professores". Como podem ver pelos exemplo abaixo, eles resolvem de tudo: problemas no amor, trabalho, família etc. Sempre com 100% de garantia de resultados!





Sinceramente não sei se o número de pessoas que usam esses serviçoes aumentou. Imagino que sim, pois quando o mundano não resolve, muitas pessoas apelam para o mágico como último recurso (ou até mesmo o famoso "vai que dá certo" entra em cena). Enfim, cada um acredita no que quiser, isso não é uma crítica aos que agem dessa forma. O triste é ver o crescimento dessa atividade relacionado ao desemprego, ou seja, tanto os professores como os que entregam os papéis na rua são imigrantes tentando sobreviver...

Outro ponto digno de nota é como aumenta o escopo do termo "professor". Agora não mais restrito aos academicos dedicados a ensinar seus conhecimentos aos seus alunos, o termo é utilizado por mestres da magia. Não bastava que os árbitros, principalmente de futebol (professor, foi falta!!), fossem chamados assim. Pobres professores... E o salário ó!!
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