O Brasil não é o único que tem o privilégio de ter uma classe política que frequentemente perde o foco dos assuntos mais importantes da nação. Por aqui é igual, as vezes pior. Uma das manias mais irritantes que existem é situação e oposição exigirem que membros do partido oposto compareçam ao Congresso todas vezes que acontece algo errado.
A última foi protagonizada pelo PP (Partido Popular, de oposição), solicitando que o ministro de Fomento - do PSOE (partido de situação) - fosse ao Congresso explicar o apagão de 1 hora no terminal 4 do aeroporto de Barajas. OK, é grave que isso tenha acontecido e as devidas investigações devem ser levadas a cabo. Mas qual o objetivo de levar o cara a depor no Congresso? Não se tem confiança de que as instituições fazem seu trabalho imparcialmente e corretamente? Não creio que seja isso. Creio que o motivo seja montar o circo, expor o outro partido ao ridículo, colocando alguém para tomar pancada numa roda viva sem fundamento.
Frequentemente Zapatero (PSOE) e Rajoy (PP) se "enfrentam" no Congresso, com o suposto objetivo de discutir os problemas da nação. Não saem mais que acusações de incompetência para ambos os lados e os problemas centrais passam longe de serem discutidos em profundidade. Parecem dois cancioneiros nordestinos tentando esculachar um ao outro, provacando risos de escárnio da platéia. Num dos últimos encontros Zapatero disse, em pleno Congresso e em rede nacional, que Rajoy era bom... bom de perder eleições. Isso lembrou muito nosso querido presidente Lula (na época então candidato): "o candidato Maluf é muito competente porque ele compete, compete e nunca ganha". Pode até ser engraçado, se fosse um humorista, não de um dos políticos mais importantes do País.
Num país de primeiro mundo que necessita urgentemente de reformas que dependem de políticos é triste e "escalofriante" (como dizem por aqui) que isso aconteça com a frequência que acontece.
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