viernes, 20 de noviembre de 2009

A vez do país do futuro


Ultimamente quando mando emails para meus amigos espanhóis, a primeira coisa que me escrevem é “Parabéns pelas Olimpíadas do Rio”. Fico pensando: parabéns por que? Primeiro que eu não fiz nada para ajudar a candidatura da cidade maravilhosa. Segundo, não vejo muitos motivos para comemoração.

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014 achei que era a chance de mostrar que meu pessimismo quanto ao futuro do país é exagerado. É uma competição de uma única modalidade disputada em diversas cidades. Será uma oportunidade de mostrar ou não que, apesar dos pesares, o Brasil tem potencial de construir coisas positivas.

Dessa vez as coisas foram longe demais. Organizar uma Copa e os Jogos Olímpicos em menos de 2 anos passou dos limites. É como dar uma metralhadora na mão de macaco. Milhões de reais vão chover nas mãos de pessoas despreparadas e... não consegui encontrar uma palavra mais suave para isso, desonestas.

Com certeza veremos melhorias em infra estruturas, empregos serão criados e regiões se desenvolverão. Mas, a que preço? E que exemplo será dado? Que mesmo fazendo tudo errado e sendo desonesto você se dá bem no final?

Eu detesto ver gente que não merece se dando bem. E não acho que os fins justificam os meios. Não é assim que as coisas serão consertadas no longo prazo. Para se ter um paralelo, alguns anos atrás costumava participar de atividades esportivas universitárias. O presidente de uma determinada federação universitária era conhecido por todo tipo de comportamentos inadequados, do tipo usar o dinheiro da entidade para fins pessoais, influenciar resultados de jogos e uma longa lista de etc. Certa vez se cogitou realizar as Universíadas no Estado de tal entidade. Seguramente a partir dai teríamos milhares de patrocinadores e os campeonatos seriam melhores, com melhores quadras, premiações etc. Mas a que custo? E premiando a quem?

Enfim, de qualquer forma chegou a hora de separar os adultos das crianças, de mostrar se esse país é mesmo o do futuro e se merece o respeito dos outros pelos grandes projetos que possa tocar, e não só pelo futebol e samba.

O difícil é acreditar em tudo isso quando se olha para os líderes encarregados de tocar tão grandioso projeto: Lula, Nuzman, Teixeira etc etc etc.

Tercer intento y tercer fracaso

(Graças a Sky que ainda não instalou a banda larga em casa, 2 meses sem atualização do blog)

O assunto do momento na Espanha com certeza é “Olimpíadas 2016”. Não exatamente se o desempenho espanhol será melhor ou pior que nos jogos anteriores, mas “por que perdemos a disputa pela sede pela segunda vez consecutiva, desta feita para o Rio”. As posturas são várias: há os que tentam encontrar os próprios erros, os que acham que era impossível ganhar pela rotação de continentes promovida pelo COI e outros que buscam comportamentos misteriosos ou incoerentes do mesmo ao longo da história para justificar uma possível injustiça (como a versão veiculada no jornal “El Mundo”).

Entre os que olham para os fatores “internos” é unanimidade que o fato de que a Espanha será o último país desenvolvido a sair da crise jogou contra. Somando-se a isso o fato de que não estava claro o quanto as comunidades autônomas espanholas estariam dispostas a gastar em todas as obras de infraestruturas temos uma boa receita para o fracasso. Como fator coadjuvante, mas também importante, a falta de peso e influência do governante espanhol em seus pares ou, em outras palavras, a Espanha não manda nada em lugar nenhum atualmente. Outro fator elencado pela mídia foi a “proximidade” (24 anos ou 6 jogos) com a Olimpíada de Barcelona em 1992. Mas esse argumento vai por água abaixo quando olhamos a história recente que nos mostra jogos sendo realizados nos EUA com 12 anos de diferença (Los Angeles (1984) e Atlanta (1996)). É muito mais relevante o fato de que Londres sediará os jogos em 2012.

Os mais adeptos da teoria da conspiração citam escolhas recentes do COI para dizer que talvez haja motivos obscuros desta vez. Como exemplos, Seúl 88 e Pekin 08: regimes não democráticos sediando um evento que representa tantos princípios como os Jogos Olímpicos? No mínimo estranho. Outro caso ocorreu com Londres 2012: segundo o “El Mundo”, o projeto desta cidade era totalmente virtual, ou seja, não existia nada de nada da estrutura necessária, e foi uma jogada genial de lobby do então primeiro ministro Tony Blair (aqui na Inglaterra dizem a mesma coisa). E agora na eleição para 2016, acham esquisito o fato de um ano atrás o Rio ter recebido a menor nota entre as qualificadas para a fase final e de repente se tornar a favorita de todas.

Seja quais forem os motivos, tal decisão causou uma grande decepção na Espanha e principalmente em Madrid, ainda mais se olhamos os números da votação final: 66 a 32 para o Rio, uma verdadeira escovada. Apesar dos problemas econômicos atuais e dos baixos níveis de aprovação do governo espanhol, a candidatura madrilenha tinha apoio de grande parte da população do país, e principalmente, claro, em Madrid. Fora o argumento de ser uma incrível experiência por si só, se esperava também um empurrãozinho econômico, que geraria mais emprego e melhoria das infra-estruturas atuais.

Enquanto analisam os motivos da derrota para o Rio, os espanhóis terão um tempinho para pensar se concorrem novamente (seria a 4ª vez) ou se conformam em assistir os Jogos pela televisão mesmo.

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