Se muitas dúvidas pairam sobre a economia mundial, a Espanha certamente não é uma exceção. Pelo contrário. Desemprego nas alturas (atualmente em 17% e podendo chegar facilmente a 20%), problemas de liquidez e solvencia nas cajas, 1 milhão de moradias (prontas ou em construção) sem muita perspectiva de venda, lentidão parlamentar para aprovar reformas necessárias são alguns dos obstáculos que os espanhóis estão enfrentando atualmente.Com este cenário é difícil prever coisas boas para o curto e médio prazo. Mesmo assim, há quem pensa que os brotes verdes são um claro indicativo de que tudo começará a ir bem. Os jornais e programas de televisão (especializados ou não) ajudam enormemente para que essa visão se consolide. A bolsa espanhola (mais especificamente o índice bursátil Ibex35) tem quebrado diversas barreiras "psicológicas" nos últimos dias, o que também contribui para o otimismo descontrolado.
Outro dia aconteceu uma coisa interessante. No elevador encontrei um conhecido e mais 2 ou 3 amigos dele que desciam para almoçar. Ele perguntou a todos quando a Espanha sairia da crise, e todos, exceto eu, responderam em uníssono: a meados de 2010. Eu fiquei quieto. Não tenho a menor idéia, não está nada claro. Acho que as pessoas respondem com tanta convicção porque é o que ouvem todos os dias na televisão e também porque pensam que por trabalharem no setor financeiro devem ter uma visão definitiva e clara destes assuntos.
A pergunta não é bem "QUANDO", mas "COMO". Se injetar bilhões de euros na economia principalmente sob a forma de subsídios for a solução, a esperança é grande (é verdade que também se criou um fundo para reorganização das cajas de ahorro que pode chegar a 100 bilhões e que em princípio pareceu uma medida acertada).
Mas, e depois? Ficarão viciados em subsídios? Como fazer com que a economia seja mais competitiva? E que seja menos custosa e mais dinâmica no que se refere a criação de empresas e de empregos. E que reduza o peso em construção e turismo. Como evitar quebradeiras generalizadas no setor de construção que tem um estoque de mais ou menos 1 milhão de imóveis? E o endividamento do Estado? E o monte de imigrantes desempregados do setor de construção? Como evitar que as cajas quebrem e que não sejam apenas instrumentos de política local das comunidades autonomas? Enfim, a lista de "COMO?" é grande. E a lista de respostas é praticamente nula.
O meu grande ponto é: as coisas estão muito incertas para afirmar com convicção que no 2o semestre de 2010 a Espanha voltará a crescer a níveis aceitáveis. É impossível? Claro que não. Mas ainda há muita lição de casa pra ser feita.
Para uma visão mais aprofundada e bem argumentada em relação a este assunto, recomendo a leitura do post sobre a situação econômica atual da Espanha no Drunkeynesian.
De resto é torcer pra que tudo dê certo!
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