sábado, 29 de agosto de 2009

Brotes verdes

Se muitas dúvidas pairam sobre a economia mundial, a Espanha certamente não é uma exceção. Pelo contrário. Desemprego nas alturas (atualmente em 17% e podendo chegar facilmente a 20%), problemas de liquidez e solvencia nas cajas, 1 milhão de moradias (prontas ou em construção) sem muita perspectiva de venda, lentidão parlamentar para aprovar reformas necessárias são alguns dos obstáculos que os espanhóis estão enfrentando atualmente.

Com este cenário é difícil prever coisas boas para o curto e médio prazo. Mesmo assim, há quem pensa que os brotes verdes são um claro indicativo de que tudo começará a ir bem. Os jornais e programas de televisão (especializados ou não) ajudam enormemente para que essa visão se consolide. A bolsa espanhola (mais especificamente o índice bursátil Ibex35) tem quebrado diversas barreiras "psicológicas" nos últimos dias, o que também contribui para o otimismo descontrolado.

Outro dia aconteceu uma coisa interessante. No elevador encontrei um conhecido e mais 2 ou 3 amigos dele que desciam para almoçar. Ele perguntou a todos quando a Espanha sairia da crise, e todos, exceto eu, responderam em uníssono: a meados de 2010. Eu fiquei quieto. Não tenho a menor idéia, não está nada claro. Acho que as pessoas respondem com tanta convicção porque é o que ouvem todos os dias na televisão e também porque pensam que por trabalharem no setor financeiro devem ter uma visão definitiva e clara destes assuntos.

A pergunta não é bem "QUANDO", mas "COMO". Se injetar bilhões de euros na economia principalmente sob a forma de subsídios for a solução, a esperança é grande (é verdade que também se criou um fundo para reorganização das cajas de ahorro que pode chegar a 100 bilhões e que em princípio pareceu uma medida acertada).

Mas, e depois? Ficarão viciados em subsídios? Como fazer com que a economia seja mais competitiva? E que seja menos custosa e mais dinâmica no que se refere a criação de empresas e de empregos. E que reduza o peso em construção e turismo. Como evitar quebradeiras generalizadas no setor de construção que tem um estoque de mais ou menos 1 milhão de imóveis? E o endividamento do Estado? E o monte de imigrantes desempregados do setor de construção? Como evitar que as cajas quebrem e que não sejam apenas instrumentos de política local das comunidades autonomas? Enfim, a lista de "COMO?" é grande. E a lista de respostas é praticamente nula.

O meu grande ponto é: as coisas estão muito incertas para afirmar com convicção que no 2o semestre de 2010 a Espanha voltará a crescer a níveis aceitáveis. É impossível? Claro que não. Mas ainda há muita lição de casa pra ser feita.

Para uma visão mais aprofundada e bem argumentada em relação a este assunto, recomendo a leitura do post sobre a situação econômica atual da Espanha no Drunkeynesian.

De resto é torcer pra que tudo dê certo!

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