Deste lado do Atlântico um fenômeno interessante ocorre desde meados de 2008 no mercado financeiro espanhol. Com o estouro da bolha imobiliária e a crescente falta de liquidez no mercado, muitas construtoras ficaram com o mico na mão, não conseguindo vender empreendimientos novinhos em folha, por total falta de compradores. Se as construtoras não vendem, não tem como pagar os bilionários empréstimos que contraíram junto aos bancos (e "cajas de ahorro") para financiar as obras. Os bancos, por sua vez, para que não apresentem taxas de morosidade inflacionadas e não ter que reconhecer perdas astronômicas, tomam o imóvel e tentam eles mesmo revendê-los com desconto. O mesmo acontece quando alguém não consegue pagar sua hipoteca. Nesse caso, o comprador inicial do imóvel não tem lá muitos incentivos para pagar uma hipoteca baseada em um valor muito superior ao valor de mercado atual do imóvel. Isso faz com que a carteira imobiliária dos bancos e "cajas de ahorro" destes imóveis "adquiridos" (atualmente em 15,3 bilhões de euros) sejam comparáveis a das maiores construtoras do país.
Ainda que os descontos cheguem a 30% em alguns casos, o estoque de imóveis na carteira dos bancos não pára de aumentar desde inícios de 2009 (é verdade que Julho apresentou retração), basicamente por 3 motivos: a renda disponível diminuiu, o medo do desemprego (que impediria o comprador de continuar pagando a hipoteca) é enorme e todos esperam que os valores de imóveis caiam ainda mais. Também é verdade que alguns estão conseguindo vender muitos dos imóveis tomados (como o Santander, que já vendeu mais de 50%), mas não se sabe se a tendência é de que nos próximos meses o ritmo de "aquisição" dos imóveis provenientes de dívidas não pagas se reduza.
Como se diz por aqui, "es la pescadilla que se muerde la cola".
Os livros de 2025
Hace 4 meses
Maiorista é atacado, amiiiiiiigooooooo!
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